Um Cavalo Velho Sábio

Vou lhes contar a história de um cavalo muito especial. Ele pertencia ao Sr. Lane e se chamava Salomão, mas todos o chamavam carinhosamente de velho Sal. Ganhou esse nome por ser um cavalo esperto e cheio de sabedoria.
Alguns dias antes, o velho Sal tinha ganhado ferraduras novas. Só que uma delas ficou apertada demais numa das patas e machucava toda vez que ele pisava. Coitado do Sal, andava incomodado o dia inteiro.
Certa manhã, o Sr. Lane levou o cavalo para um belo campo cheio de grama e trevos, para que ele descansasse e comesse à vontade. Mas, quando voltou mais tarde, o velho Sal tinha sumido!
: O que será que aconteceu com o velho Sal?: perguntou o Sr. Lane, preocupado.
Tim, o rapaz que cuidava dos animais, apareceu coçando a cabeça.
: Acho que algum ladrão levou o cavalo, senhor. Não encontro o Sal em lugar nenhum. E, olhe só, o portão do campo foi arrancado das dobradiças e está caído no chão!
O Sr. Lane observou o portão com atenção e sorriu.
: Isso não prova que foi um ladrão, Tim. Desconfio que o próprio velho Sal fez isso sozinho. Vamos descobrir: se houver marca de dentes de cavalo no portão, saberemos que foi ele quem escapou.
Os dois se aproximaram do portão e, na grade de cima, lá estavam as marquinhas fundas dos dentes de um cavalo!
: Ora essa!: pensou o Sr. Lane.: Por que o velho Sal iria querer sair de um campo tão gostoso, tão cheio de grama fresca?
: Talvez o ferreiro saiba explicar: disse Tim.
: Boa ideia. Vou até a oficina dele descobrir: respondeu o Sr. Lane.
A oficina do Sr. Clay, o ferreiro, ficava a mais ou menos uma milha e meia dali. Assim que chegou, o Sr. Lane perguntou:
: Por acaso o senhor viu o meu velho Sal?
: Ora, se vi!: riu o Sr. Clay.: O velho Sal apareceu aqui hoje de manhã e me deixou bem envergonhado. Ele me mostrou que eu tinha feito um trabalho malfeito na ferradura da pata direita!
: Como assim, Sr. Clay?: espantou-se o Sr. Lane.: Um cavalo não sabe falar!
: É verdade, ele não falou com palavras: explicou o ferreiro, com um sorriso.: Mas falou com gestos, tão claro quanto eu estou falando agora. Ele veio até a forja, levantou a pata, olhou bem para mim e pareceu dizer: "Sr. Clay, olhe esta ferradura. Veja como ela aperta e machuca o meu pé. Será que o senhor pode ajeitar, por favor?"
O Sr. Lane deu uma boa gargalhada.
: E o senhor entendeu tudo isso só pelo olhar dele?
: Tudo isso e muito mais!: disse o Sr. Clay.: O velho Sal ficou paradinho, quietinho como um poste, enquanto eu tirava a ferradura apertada e colocava outra bem no jeito, sem machucar. Quando terminei, ele soltou um relincho alegre, como quem diz "muito obrigado, Sr. Clay!", e saiu trotando feliz de volta para o campo. Se o senhor for até lá, vai encontrá-lo tomando seu café da manhã bem tranquilo.
O Sr. Lane agradeceu ao ferreiro, desejou-lhe um bom dia e voltou depressa para o campo. Chegando lá, encontrou Tim recolocando o portão nas dobradiças. E, mais adiante, lá estava o velho Sal, mastigando grama, contente da vida, com a pata já sem dor.
E então, me digam vocês: não era mesmo o velho Sal um cavalo muito, muito sábio?
Moral da História
Quando algo nos incomoda, vale a pena procurar ajuda com jeitinho e esperteza. Até um cavalo sábio sabe pedir o que precisa: sem brigar, mas sem desistir.