Um agradecimento molhado

Era uma vez um menininho que brincava ao sol e ficou com muita, muita sede. A boca estava sequinha e ele só pensava em água fresca.
Correndo, ele chegou até uma bomba d'água no quintal. Puxou a alavanca com todas as forças e: splash!: a água clara começou a jorrar. O menino bebeu com vontade, sentindo o frescor descer pela garganta.
Bem-educado como era, ele limpou a boca e disse:
: Muito obrigado, bombinha, pela água tão gostosa!
Mas a bomba, com sua voz de metal, respondeu:
: Ora, não sou eu quem você deve agradecer. Eu só ajudo a água a correr. Ela vem de outro lugar!
O menino ficou curioso, coçou a cabeça e perguntou:
: E de onde vem essa água, então?
: Ela desce de uma nascente lá no alto da colina: explicou a bomba.
Então o menino subiu a colina e agradeceu à nascente. Mas a nascente borbulhou:
: Não me agradeça só a mim! Eu preciso da ajuda da chuva e do orvalho para ter água.
Assim, o menino olhou para o céu e agradeceu à chuva e ao orvalho. Mas eles sussurraram juntos:
: Não somos nós, pequeno. Precisamos do sol para que a água suba até as nuvens.
O menino então agradeceu ao sol, que brilhava lá no alto. Mas o sol, quentinho e dourado, respondeu:
: Eu apenas peguei essa água emprestada do grande oceano.
O menino correu em pensamento até o mar e agradeceu ao oceano. E o oceano, com suas ondas mansas, disse por fim:
: Não agradeça a mim. Agradeça à natureza, que criou tudo e nos dá cada coisa boa que existe.
Então o menininho tirou o gorro da cabeça, olhou ao redor: a colina, o céu, o sol e a água: e disse baixinho, com o coração cheio:
: Obrigado, natureza, pela água fresquinha e por todas as coisas boas do mundo.
Moral da História
Tudo de bom que recebemos passa por muitas mãos até chegar a nós. Ser grato de verdade é reconhecer e cuidar da natureza que nos dá a vida.