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Ulisses e o Saco dos Ventos

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Ulisses e o Saco dos Ventos

Fazia muitos dias que Ulisses navegava pelo mar azul, tentando voltar para casa, na sua querida ilha de Ítaca. Ele e seus companheiros já haviam passado por muitas aventuras, e todos estavam cansados e com saudade de casa. Foi então que avistaram uma ilha muito especial: a ilha flutuante de Éolo, o Rei dos Ventos.

: Que praia acolhedora!: suspirou Ulisses, aliviado.: Vamos descansar um pouco aqui.

Éolo era um rei gentil e poderoso. Bastava um sopro seu para que brisas suaves dançassem sobre as ondas, e outro sopro para acalmar as tempestades mais bravas. Ele recebeu Ulisses e seus marinheiros com um sorriso caloroso, ofereceu comida quentinha e deixou que todos repousassem depois de tanta viagem.

Quando chegou a hora da despedida, Éolo encheu o barco de presentes e mantimentos. Mas um dos presentes era muito curioso: um enorme saco feito de couro, grande como um boi, amarrado com um cordão de prata brilhante.

: Escute com atenção, meu amigo: disse Éolo, chamando Ulisses de lado.: Dentro deste saco eu guardei todos os ventos tempestuosos. Assim, nenhuma tempestade vai atrapalhar a sua viagem. Se um dia você precisar de um empurrãozinho de vento, abra o saco com muito cuidado, deixe sair só um pouquinho e feche bem rápido de novo. Guarde bem este segredo!

Ulisses agradeceu de coração e prometeu ter todo o cuidado. Então Éolo soprou uma brisa mansa e amiga, que empurrou o barco suavemente rumo a casa.

Dia após dia, eles navegaram em paz sobre o mar reluzente. Ulisses cuidava das velas com carinho e vigiava o barco de dia e de noite, sem quase dormir, com o coração cheio de esperança de rever sua família.

No décimo dia, tão perto de casa que já dava para ver as luzinhas de Ítaca ao longe, Ulisses finalmente adormeceu, exausto. Foi aí que os marinheiros começaram a cochichar entre si, olhando para o misterioso saco.

: Deve estar cheio de tesouros!: disse um deles.: Por que só o Ulisses pode saber o que tem aí dentro? Vamos dar uma espiadinha!

Movidos pela curiosidade e um pouquinho de inveja, eles desamarraram o cordão de prata. Mas, assim que o saco se abriu, uuuh!: todos os ventos tempestuosos escaparam de uma vez só! Num piscar de olhos, o mar calmo virou espuma, e o barquinho foi empurrado para longe, longe de Ítaca.

Ulisses acordou assustado com toda a confusão, mas nem ele conseguia segurar aqueles ventos assobiadores. O barco balançava de um lado para o outro, até que, por fim, foram parar de novo bem longe de casa.

Os marinheiros ficaram muito arrependidos. Puxaram o barco para uma praia, acenderam uma fogueira e prepararam uma refeição para se aquecer e recuperar as forças, cabisbaixos por causa da própria curiosidade.

Ulisses ainda viveu muitas outras aventuras antes de finalmente chegar em casa e abraçar quem tanto amava. E, quando estava velhinho e tranquilo, junto de sua família, ele adorava contar a história do saco de ventos que ganhou do bom Rei Éolo: e de como uma curiosidade sem cuidado pode nos levar bem para longe do que a gente mais quer.

Moral da História

A curiosidade é boa, mas precisa vir junto com o cuidado e a confiança. Quando alguém nos dá um conselho com carinho, vale a pena escutar antes de agir.