Terremotos

Bem cedo pela manhã, os vizinhos conversavam de porta em porta, todos falando do mesmo assunto. Durante a noite, algo estranho havia acontecido na aldeia.
Jacques contou que, por volta das duas da madrugada, foi acordado pelo mugido do seu gado. "Repetiu duas ou três vezes!", disse ele. "Até o Azor, que é o boi mais calmo do estábulo, mugiu como se estivesse assustado. Levantei, acendi a lanterna, mas não achei nada que pudesse tê-los incomodado."
Mãe Ambroisine tinha uma história ainda maior para contar. "Ouvi os pratos chacoalhando na prateleira da cozinha! Alguns até rolaram. Pensei que fosse arte do gato, mas então senti a minha cama balançar de leve, de um lado para o outro. Foi tão rápido que puxei as cobertas até a cabeça e fiquei quietinha até o sol nascer."
Mathieu e o filho, que voltavam da feira naquela noite, também tinham o que dizer. "A noite estava calma, com um lindo luar", contou Mathieu. "De repente, ouvimos um som profundo vindo lá de baixo da terra, como o ronco de uma grande represa. No mesmo instante, cambaleamos, como se o chão tivesse se mexido debaixo dos nossos pés! Depois, silêncio. A lua continuava brilhando. Chegamos a pensar que tínhamos sonhado."
De boca em boca, ia circulando uma palavra que deixava uns curiosos e outros pensativos: "terremoto".
À noite, o Tio Paul se sentou na varanda, cercado pelos sobrinhos e sobrinhas, todos cheios de perguntas.
"É verdade, tio", perguntou Jules, "que às vezes a terra treme?" "É verdade, sim, meu querido", respondeu o Tio Paul com um sorriso paciente. "De vez em quando, aqui ou em algum outro lugar do mundo, o chão se mexe. Isso se chama terremoto."
"Mas por que a terra treme, tio?", quis saber Claire. "Boa pergunta! Lá bem no fundo, a Terra é feita de enormes camadas de rocha. Essas camadas se encaixam como as peças gigantes de um quebra-cabeça. Às vezes, elas se acomodam e se ajeitam, e esse empurrãozinho faz o chão estremecer aqui em cima. Na maioria das vezes, é só um tremor bem de leve, como o de ontem: quase nada, apenas alguns pratos dançando na prateleira."
"Então não é perigoso?", perguntou Jules, aliviado. "Os pequenos, quase nunca. Servem só para nos lembrar que a Terra é viva e está sempre se movendo, bem devagarinho. Mas alguns terremotos são mais fortes, e aí precisamos ter cuidado e respeito. Um tremor grande pode sacudir as casas, rachar as paredes e derrubar muros. Foi assim, há muito tempo, na cidade de Lisboa, em Portugal, e em algumas cidades da Itália: tremores fortes causaram grande destruição, e as pessoas tiveram de deixar as suas casas depressa para se proteger."
Os sobrinhos ouviam atentos, de olhos arregalados.
"Antes de um terremoto grande, muitas vezes há sinais", continuou o Tio Paul. "Um ronco surdo vem lá de baixo, e os animais, que percebem tudo antes de nós, ficam agitados: foi por isso que o gado de Jacques mugiu e o gato de Mãe Ambroisine se assustou. Depois, o chão balança e as janelas tremem. Nessa hora, o mais seguro é sair para um lugar aberto, longe de coisas que possam cair."
"Nossa!", disse Emile, um pouco envergonhado. "E eu que ri quando Mãe Ambroisine contou do susto dela. Afinal, não era caso para rir."
"Não precisamos ter medo, meu sobrinho, mas sim aprender a nos cuidar", disse o Tio Paul, com carinho. "Hoje em dia, pessoas muito inteligentes, os cientistas, estudam os terremotos com aparelhos especiais para entender a Terra e nos ajudar a construir casas mais firmes e seguras. E existem regras simples que todo mundo pode aprender: se a terra tremer com força, a gente se protege embaixo de uma mesa resistente, longe das janelas, e depois procura um lugar aberto."
"Quer dizer que, se a gente conhecer e respeitar a natureza, fica mais protegido?", perguntou Claire. "Exatamente!", respondeu o tio. "A natureza é cheia de forças enormes. Não dá para mandar nela, mas dá para entendê-la, respeitá-la e se preparar. E o susto de ontem serviu para uma coisa boa: fez a nossa aldeia aprender um pouquinho mais sobre o mundo em que vivemos."
Naquela noite, as crianças foram dormir pensando na Terra imensa girando lá embaixo dos seus pés: não com medo, mas com admiração por um planeta tão grande e cheio de mistérios.
Moral da História
A natureza tem forças poderosas que devemos respeitar. Quando aprendemos como o mundo funciona, trocamos o medo pela sabedoria e descobrimos como nos cuidar.