Sindiwe e os Vagalumes

Certo dia, numa aldeia chamada Gungululu, no Cabo Oriental, na África do Sul, nasceu uma bebê muito espertinha. O nome dela era Sindiwe Magona, e ela era a mais velha de oito irmãos.
À noite, a avó de Sindiwe reunia os netos e contava histórias mágicas: histórias de gigantes e de grandes feras, de animais da floresta e de criaturinhas da savana. Aquela era, com certeza, a hora preferida de Sindiwe. Ela ficava de olhos bem abertos, imaginando cada aventura.
Sindiwe adorava a escola e tinha um grande sonho: queria ser professora quando crescesse.
Quando virou adolescente, sua família organizou uma bela festa para comemorar essa fase da vida. Sindiwe ganhou roupas especiais para vestir, e um ancião sábio cantou uma linda canção em sua homenagem:
: Bênçãos e vida longa para você! Que seus ancestrais sempre a protejam!
Sindiwe estudou muito e se formou professora. Estava radiante de alegria para dar aulas pela primeira vez!
Mas, naquela época, não havia escolas suficientes para as crianças negras, e muitas delas não tinham nem carteiras nem cadernos. Isso deixou Sindiwe preocupada.
: Como vou ser uma boa professora se as crianças não têm nem onde se sentar?: pensava ela, com o coração apertado.
Por um tempo, Sindiwe precisou deixar a escola e trabalhar fazendo faxina em quatro casas diferentes. Nem sempre as pessoas eram gentis com ela, e havia dias tristes. Mas Sindiwe era corajosa e cheia de esperança: mesmo cansada, ela nunca parou de estudar.
E o esforço valeu a pena! Sindiwe ganhou uma bolsa de estudos para estudar numa universidade lá em Nova York, nos Estados Unidos.
Então ela arrumou as malas, pegou seus três filhos pequenos e atravessou o oceano rumo a essa nova aventura. Em Nova York, Sindiwe estudou para ser assistente social, porque queria ajudar as famílias a viverem melhor.
Quando terminou os estudos, ela conseguiu um emprego na Organização das Nações Unidas, a ONU. É lá que muitos países do mundo se reúnem para conversar sobre seus problemas e procurar soluções juntos.
Na ONU, Sindiwe contava para o mundo como era a vida na África do Sul e como era difícil, naquele tempo, o dia a dia das pessoas negras por lá. Todos adoravam ouvir as histórias de Sindiwe e queriam aprender cada vez mais. Quem sabe, trabalhando juntos, eles poderiam ajudar a mudar as coisas?
Sindiwe trabalhou na ONU por vinte anos, enquanto seus filhos cresciam e se tornavam adultos. Mas, no fundo do coração, ela sentia saudade da terra onde havia nascido. Queria voltar para contar as suas histórias para a sua própria gente.
Então, mais uma vez, ela arrumou as malas, pegou um avião e cruzou o mar de volta para a Cidade do Cabo.
O amor de Sindiwe pelos livros e pelas histórias a ajudou a escrever muitos e muitos livros. Hoje, crianças e adultos adoram ler tudo o que ela escreve.
Muita gente a chama carinhosamente de Nomabali, que quer dizer "Mulher das Histórias" no idioma xhosa. E o apelido combina direitinho, porque Sindiwe está sempre lendo, escrevendo e contando novas histórias: do mesmo jeito que a sua avó fazia, lá na aldeia, quando ela era pequenina.
Moral da História
Com coragem, esperança e muito estudo, é possível realizar grandes sonhos. E as histórias que ouvimos quando crianças podem nos acompanhar e nos inspirar por toda a vida.