Sinbad, O Marinheiro

Há muito, muito tempo, na longínqua cidade de Bagdá, vivia um homem chamado Sinbad, o Carregador. Todos os dias ele trabalhava duro, carregando pesados fardos de um lado para o outro pela cidade. Mesmo suando de sol a sol, ganhava pouquinho, e às vezes ficava triste com isso.
Certa tarde bem quente, Sinbad parou para descansar diante da casa de um rico comerciante. De dentro vinham os cheiros mais deliciosos de comida gostosa e a música mais bonita que ele já tinha escutado. Cansado, ele suspirou:
: Ah, que injusto! Algumas pessoas desfrutam de tantas coisas boas sem esforço nenhum, enquanto eu trabalho o dia inteiro e mal tenho o suficiente...
Nesse momento, um menino saiu da casa, sorriu para ele e o pegou pela mão.
: Meu patrão convida o senhor para entrar: disse o menino, gentil.
Sinbad, o Carregador, entrou e ficou de boca aberta com a beleza do lugar.
: Esta deve ser a casa de um rei ou de um sultão!: pensou.
Num grande salão, ele viu um senhor imponente, de longa barba grisalha e olhar bondoso. O dono da casa apontou para uma cadeira macia e perguntou o nome do visitante.
: Meu nome é Sinbad, o Carregador: respondeu ele, meio tímido.
O senhor sorriu, surpreso.
: Que coincidência maravilhosa! O meu nome também é Sinbad. Sinbad, o Marinheiro!
E continuou, com a voz calma:
: Ouvi você reclamar lá fora de como a vida é injusta. Mas deixe-me lhe contar uma coisa, meu amigo: nada disto que você vê aqui foi fácil de conquistar. Antes de morar neste palácio, eu fiz sete grandes viagens pelo mar, cada uma mais incrível e cheia de perigos que a outra. Sente-se e ouça a história da minha primeira viagem.
E Sinbad, o Marinheiro, começou a contar. Falou de navios balançando em ondas gigantes, de ilhas misteriosas que na verdade eram baleias adormecidas, de aves enormes e de terras cheias de tesouros. Sinbad, o Carregador, ouvia tudo de olhos arregalados, encantado com cada aventura.
Ao fim da história, o Marinheiro convidou o carregador para jantar. Serviram os pratos mais saborosos, e, na hora de ir embora, o Marinheiro ainda lhe deu um belo presente em ouro.
: Volte amanhã: disse ele.: Vou lhe contar a história da minha segunda viagem.
E assim foi, dia após dia. A cada tarde, Sinbad, o Carregador, era recebido com carinho, ouvia mais uma aventura fantástica e ganhava um presente antes de partir. Ele mal podia acreditar em sua sorte!
No sétimo dia, o Marinheiro contou a viagem mais espantosa de todas. E, quando terminou, o carregador havia entendido uma coisa importante: para chegar aonde estava, o Marinheiro tinha enfrentado muitas dificuldades com coragem e paciência.
: Peço desculpas por ter pensado que sua vida sempre foi fácil: disse Sinbad, o Carregador, com humildade.
O Marinheiro riu com bondade e lhe deu mais um presente generoso.
Daquele dia em diante, os dois Sinbads se tornaram grandes amigos. O carregador não precisou mais trabalhar de forma tão pesada, e os dois viveram muito felizes, dividindo boas histórias e boas risadas para sempre.
Moral da História
Toda conquista costuma esconder muito esforço e coragem que não vemos. Antes de julgar a vida dos outros, vale a pena ouvir e compreender a jornada de cada um.