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Rei Lear

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

O Rei Lear já estava velho e cansado. Depois de tantos anos cuidando do reino, ele só queria descansar e passar seus dias ao lado das três filhas que tanto amava: Goneril, Regan e Cordélia.

Um dia, ele reuniu as três no grande salão do castelo. "Minhas queridas", disse ele com um sorriso, "decidi dividir o reino entre vocês. Mas antes, gostaria de ouvir de cada uma o quanto me ama."

Goneril, a mais velha, deu um passo à frente. "Pai, eu o amo mais do que as palavras podem dizer! Mais do que a luz do dia e do que todas as riquezas do mundo!" Ela falava bonito, mas, no fundo do coração, pensava apenas nas terras que iria ganhar.

Regan, a filha do meio, não quis ficar atrás. "Eu o amo ainda mais do que a minha irmã, pai! Nada me deixa mais feliz do que o senhor!" E também sorria, imaginando os presentes.

Por fim, o rei virou-se para Cordélia, sua filha mais nova e mais querida. "E você, minha alegria? O que tem a me dizer?"

Cordélia amava o pai de verdade, com um amor tranquilo e sincero. Por isso, não sabia fazer discursos exagerados. "Meu pai", disse ela baixinho, "eu o amo exatamente como uma filha deve amar: obedeço, respeito e cuido do senhor com todo o meu coração. Não sei enfeitar isso com palavras bonitas, mas o meu amor é verdadeiro."

Lear ficou desapontado. Ele esperava ouvir promessas grandiosas, como as das irmãs. Sem entender que o amor mais silencioso costuma ser o mais forte, aborreceu-se e disse: "Se é só isso que tem a dizer, então ficará sem a sua parte do reino."

O bondoso conde de Kent, um amigo fiel, tentou defender a moça. "Meu rei, não se engane! Cordélia é quem mais o ama." Mas Lear, teimoso, não quis escutar e dividiu tudo entre Goneril e Regan.

Felizmente, o rei de um país vizinho, a França, tinha um coração sábio. Ele havia observado tudo e disse: "Cordélia, mesmo sem terras nem tesouros, você é a mais rica de todas, pois tem um coração honesto. Aceita ser a rainha do meu país?" Cordélia aceitou e partiu para a França sentindo saudade do pai, mas cheia de esperança.

Lear, então, foi morar com Goneril. Só que, assim que recebeu a sua parte do reino, ela mudou completamente. Já não tinha paciência com o pai, reclamava de tudo e pedia aos criados que não o obedecessem.

Triste, o rei foi tentar a sorte com Regan. Mas Regan tratou-o ainda pior, dizendo que ele atrapalhava e que era melhor que fosse embora.

O pobre Lear finalmente entendeu que as palavras bonitas das duas filhas mais velhas não passavam de vento. Com o coração apertado, saiu pela estrada numa noite de tempestade, tendo por companhia apenas o seu bobo da corte e um servo fiel: que, sem que ele soubesse, era o próprio conde de Kent, disfarçado para poder protegê-lo.

Encharcados e com frio, abrigaram-se numa cabaninha. "Como fui tolo", murmurava o velho rei. "Troquei o amor verdadeiro por elogios vazios."

O conde de Kent, então, mandou um mensageiro à França para contar tudo a Cordélia. Assim que soube que o pai estava sozinho e sofrendo, a jovem rainha não pensou duas vezes: atravessou o mar para buscá-lo.

Ela encontrou o pai cansado e confuso, caminhando pelos campos. Com muito carinho, cobriu-o com um manto quentinho, deu-lhe comida e o abraçou bem apertado. "Estou aqui, pai. Está tudo bem agora."

Lear abriu os olhos e reconheceu a filha. Lágrimas escorreram pelo seu rosto. "Você pode me perdoar, minha filha? Fui velho e tolo. Deixei que palavras bonitas me enganassem e não enxerguei o seu amor, que era o mais verdadeiro de todos."

"Não há nada para perdoar, pai", respondeu Cordélia, sorrindo. "O senhor está comigo, e é isso que importa."

Enquanto isso, longe dali, Goneril e Regan perceberam que ninguém mais confiava nelas. Sem o carinho da família e sem amigos de verdade, ficaram sozinhas com as suas terras: e descobriram, tarde demais, que riqueza nenhuma vale mais do que um coração honesto. Envergonhadas, prometeram tentar ser pessoas melhores dali em diante.

Cordélia levou o pai para viver com ela na França. Lá, cercado de amor de verdade, o velho rei enfim encontrou a paz e a felicidade que tanto procurava, ao lado da filha que nunca precisou de palavras bonitas para provar o quanto o amava.

Moral da História

O amor verdadeiro se mostra com atos e cuidado, não com palavras exageradas. Quem aprende a valorizar a sinceridade encontra a felicidade mais duradoura.