Por que Nita está de Ponta Cabeça?

Nita era uma menina diferente de todo mundo, e do jeitinho mais curioso que se pode imaginar: ela vivia de ponta-cabeça! Seus cabelos tocavam de leve o chão, seus pés apontavam para o céu azul, e o mundo inteiro, as árvores, a grama e as nuvens, parecia estar todo ao contrário para ela.
Um dia, passando pelo caminho, apareceu Navi, um menininho gentil de olhar curioso.
: Ei, eu já te vi por aqui antes! Você está de cabeça para baixo de novo. Por quê?: perguntou ele, com carinho.
Nita ficou sem jeito e tentou esconder o rostinho corado.
: É d-difícil de f-falar...: gaguejou ela.: Eu sou diferente. Eu não sei me encaixar em lugar nenhum.
Navi não riu nem estranhou. Pelo contrário: estendeu a mão para Nita, com o coração cheio de vontade de ajudar.
: Vem comigo: disse ele.: Quero te mostrar uma coisa.
Juntos, os dois subiram até o mirante preferido de Navi, lá do alto, de onde dava para ver o parque inteiro. Sentaram-se lado a lado, quietinhos, só observando as crianças que brincavam embaixo.
E que crianças diferentes havia ali!
Abe era redondinho e sorridente. Chi tinha o rosto cheio de sardas espalhadas, como estrelinhas. Lala era tão alta que quase tocava o céu. Bambam brincava solto e cheio de energia, como um leãozinho. Lulu adorava ficar num cantinho, em silêncio, lendo seus livros. Freya tinha um cabelo enorme que voava ao vento. Sid usava óculos o dia todo. E cada um era especial do seu próprio jeito.
Navi olhou para Nita e sorriu.
: Está vendo? Ninguém aqui é igual a ninguém. E sabe de uma coisa? É justamente isso que faz o mundo tão bonito. Você é você, e isso é genial!
Os olhos de Nita brilharam.
: O mundo é como um grande jogo: continuou Navi.: E, para brincar, não precisa ser todo mundo igual. Cada peça diferente é que torna o jogo completo. Ser diferente é o que nos torna, no fundo, todos iguais: todos especiais.
Pela primeira vez, Nita sentiu que tinha o seu lugar. Um sorriso enorme se espalhou pelo seu rosto.
: Obrigada, Navi: disse ela.: Acho que já não quero mais ficar de ponta-cabeça o tempo todo.
E, devagarinho, ela virou-se para cima, ficou em pé e desceu correndo para o parque. Dali em diante, Nita brincava com todas as crianças, sem se esconder de ninguém, feliz por ser exatamente quem era, e por finalmente pertencer.
Moral da História
Cada pessoa é especial de um jeito único, e é essa diferença que torna o mundo mais bonito. Você não precisa mudar quem você é para ter o seu lugar.