Por que há um Buraco na Parede?

Lungisa era um menino muito curioso. Ele morava numa aldeia à beira-mar chamada esiKhaleni, que quer dizer "Lugar do Barulho". Algumas pessoas também a chamavam de "Buraco na Parede", por causa de uma enorme parede de pedra que ficava perto do mar e tinha, bem no meio, um grande buraco redondo.
Todos os dias, Lungisa olhava para aquele buraco e uma perguntinha crescia dentro dele, até que não dava mais para segurar. Então ele saía pela aldeia atrás de respostas.
Primeiro, foi até a mãe, que preparava o jantar.
: Mãe, por que existe um buraco naquela parede?: perguntou ele.
A mãe sorriu e respondeu:
: Dizem que, há muito tempo, um dos povos do mar usou a cabeça de um peixe gigante para abrir caminho pela rocha e chegar até a pessoa que amava.
: Que interessante!: disse Lungisa, de olhos arregalados.
Mas a curiosidade não parava. No dia seguinte, ele perguntou à professora:
: Professora, por que existe um buraco naquela parede?
: Porque as ondas do mar bateram na pedra durante milhões e milhões de anos, até abrirem um buraco no arenito: explicou ela.
: Que interessante!: respondeu Lungisa, pensativo.
Ainda assim, ele queria ouvir mais. Correu até a avó, que descansava na sombra.
: Vovó, por que existe um buraco naquela parede?
A avó acariciou seus cabelos e disse, baixinho:
: Para que os nossos antepassados tenham um portalzinho para chegar até nós, meu neto.
: Que interessante!: sussurrou o menino, encantado.
Depois foi a vez da tia, que estava no quintal.
: Titia, por que existe um buraco naquela parede?
: Ah, meu querido, é uma janela aberta para o céu: respondeu ela, olhando para o alto.
: Que interessante!: disse Lungisa.
Sem se cansar, foi procurar o melhor amigo, que brincava na praia.
: Ei, por que será que existe um buraco naquela parede?
: Fácil!: respondeu o amigo.: Um navio bateu na rocha e abriu o buraco.
: Que interessante!: riu Lungisa.
Por fim, o menino se sentou ao lado da irmãzinha e fez a mesma pergunta:
: E você, o que acha? Por que existe um buraco naquela parede?
A irmãzinha pensou um pouquinho, deu um sorriso maroto e respondeu:
: Ora, é para que o meu irmão nunca pare de fazer perguntas!
Lungisa caiu na gargalhada. Ele percebeu que cada pessoa via aquele buraco de um jeito diferente, e que todas as respostas eram bonitas à sua maneira. E, como um bom menino curioso, ele continuou fazendo perguntas para o resto da vida.
Moral da História
Uma mesma pergunta pode ter muitas respostas diferentes, e todas nos ensinam algo. Ser curioso é uma das formas mais bonitas de descobrir o mundo.