Por que as Bananas Pertencem ao Macaco

Talvez você não saiba, mas os macacos acham que todas as bananas do mundo pertencem a eles! No Brasil, quando uma criança adora comer banana, brincam dizendo: "Ah, você é um macaco!". E, se você também gosta muito de banana, então já sabe: por essa brincadeira, você também seria um pequeno macaco.
Pois esta é a história bem antiga que se conta para explicar como tudo começou.
Era uma vez, quando o mundo tinha acabado de ser criado e existia só um tipo de banana, mas muitos tipos de macacos. Nessa época, morava numa vila uma simpática velhinha que tinha um enorme jardim cheio de bananeiras.
Colher todas aquelas bananas sozinha era um trabalho e tanto. Então a velhinha fez um combinado com o maior dos macacos:
: Se você me ajudar a colher os cachos de banana: disse ela :, eu divido tudo com você, metade para cada um. Combinado?
: Combinado!: respondeu o macaco, esfregando as mãos.
O macaco subiu nas árvores e apanhou os cachos. Mas, na hora de dividir, ele foi esperto de um jeito nada bonito: separou para si as bananas graúdas, gordinhas e maduras, e entregou à velhinha apenas as pequeninas e enrugadas do fundo do cacho. Depois, saiu correndo com a sua parte para deixá-la amadurecer escondida.
A velhinha ficou muito aborrecida com aquela falta de honestidade.
: Ora essa!: pensou ela.: Combinamos meio a meio, e ele ficou com o melhor para si. Preciso dar um jeito de ensinar uma lição neste macaco travesso.
Ela pensou, pensou, e teve uma ideia esperta. Na manhã seguinte, moldou com cera uma bonequinha em forma de menino. Colocou uma cesta bem no alto da cabeça da boneca e encheu a cesta com as bananas mais bonitas e douradas que encontrou. Ficaram tão apetitosas que dava vontade só de olhar!
Não demorou muito e o maior macaco passou por ali. Ele viu a boneca de cera e pensou que fosse um menino de verdade carregando bananas.
Bem-humorado naquela manhã, o macaco resolveu primeiro pedir com educação:
: Olá! Por favor, me dá uma banana?
A boneca de cera não respondeu nada.
O macaco pediu de novo, um pouquinho mais alto:
: Oi! Por favor, me dá uma banana, só uma banana pequena e docinha?
A boneca continuou caladinha. O macaco, achando que o menino não queria dividir, chegou perto e deu um empurrãozinho com a mão. Mas… ué! A mão grudou na cera e ficou presa!
: Ei, solta a minha mão!: pediu o macaco.
Claro que a boneca não soltou. O macaco tentou se soltar com a outra mão, e essa também grudou. Depois enroscou um pé, e o pé grudou também! Quanto mais ele se mexia, mais preso ficava naquela cera pegajosa.
: Socorro, amigos!: gritou o macaco.: Venham me ajudar!
E os macacos vieram correndo de todos os cantos: macacos grandes, macacos pequenos e macacos de tamanho médio. Um verdadeiro exército de macacos para socorrer o companheiro atrapalhado.
Foi o menorzinho de todos quem teve a ideia mais esperta:
: Vamos subir na árvore mais alta e formar uma pirâmide de macacos, um em cima do outro! O que estiver bem no topo, com a voz mais forte, deve chamar o Sol e pedir ajuda!
E foi exatamente o que fizeram. Empilharam-se com cuidado até o céu, e o macaco do topo gritou com toda a força:
: Ó Sol! Por favor, venha nos ajudar!
O Sol ouviu e chegou logo, espalhando seus raios mais quentinhos sobre a cera. Aos pouquinhos, a cera começou a amolecer e a derreter. Primeiro o macaco soltou uma mão, depois a outra, depois um pé, e o outro pé, até que, enfim, ficou livre de novo!
Quando a velhinha viu toda aquela confusão, começou a rir de tão engraçada que era a cena. E pensou:
: Acho que cultivar bananas dá trabalho demais para mim. Vou mudar para outro cantinho do mundo e plantar repolhos, que são bem mais tranquilos!
E assim ela fez. Os macacos, então, ficaram com o jardim inteirinho, cheio de bananeiras só para eles. E é por isso que, daquele dia até hoje, os macacos acham que todas as bananas do mundo pertencem a eles!
Moral da História
Quando fazemos um combinado, o certo é cumprir com honestidade e dividir de forma justa. A esperteza que engana os outros costuma trazer confusão só para quem tentou levar vantagem.