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Pequeno Claus e Grande Claus

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Há muito tempo, num vilarejo distante, viviam dois homens com o mesmo nome: Claus. Como um era bem alto e o outro baixinho, todos os chamavam de Grande Claus e Pequeno Claus, para não confundir.

O Grande Claus tinha quatro cavalos fortes e uma fazenda enorme, mas era muito rabugento e nunca se contentava com nada. O Pequeno Claus tinha apenas um cavalinho e uma carrocinha, mas era alegre, esperto e tinha o coração do tamanho do mundo.

Durante a semana, o Pequeno Claus ajudava na lavoura do vizinho. Aos domingos, ele passeava com seu cavalinho pela estrada e, feliz da vida, gritava bem alto:

: Vamos lá, meus cavalos!

Quem passava pensava que ele tinha muitos cavalos, e não só um. Isso deixava o Grande Claus com uma inveja daquelas.

: Pare de dizer "meus cavalos"! Você só tem um!: resmungava ele, de cara amarrada.

Mas o Pequeno Claus só ria e seguia cantarolando pela estrada.

Certa tarde, o Pequeno Claus viajava com sua carrocinha quando a noite chegou. Ele bateu na porta de uma fazenda para pedir pouso, mas a dona da casa, mal-humorada, não deixou ele entrar.

: Sem problema, moça. Boa noite!: disse ele, educado.

Sem se aborrecer, o Pequeno Claus subiu no telhado do celeiro para dormir ali mesmo, olhando as estrelas. E foi de lá do alto que ele viu, pela janela iluminada, uma mesa cheia dos quitutes mais deliciosos: pães quentinhos, tortas e frutas. A dona da casa estava saboreando tudo aquilo com um vizinho fofoqueiro, bem escondida, porque o marido dela não gostava nadinha daquele vizinho.

De repente, o fazendeiro chegou em casa! Depressa, a esposa escondeu toda a comida no forno e pediu para o vizinho se esconder atrás de um grande baú.

O fazendeiro, ao ver o Pequeno Claus lá em cima, chamou:

: Ei, o que faz nesse telhado? Desça e entre, amigo!

Lá dentro, os dois ganharam apenas um pratinho de mingau. Mas o Pequeno Claus, que tinha visto toda aquela comilança, teve uma ideia divertida. No seu saco de couro havia umas coisas que faziam "criiic, criiic" quando ele apertava. Então ele apertou o saco de leve.

: O que é esse barulho?: perguntou o fazendeiro, curioso.

: Ah, isso é o meu ajudante mágico!: respondeu o Pequeno Claus, com ar de mistério.: Ele está me contando que há comidas deliciosas escondidas ali, dentro do forno!

O fazendeiro correu até o forno e: não é que era verdade?: encontrou tortas, pães e frutas! Ficou de boca aberta.

: Que ajudante incrível!: exclamou, encantado.: Ele pode adivinhar mais coisas?

O Pequeno Claus apertou o saco de novo: "criiic, criiic".

: Ele diz que há um vizinho brincando de esconde-esconde atrás daquele baú!: riu o Pequeno Claus.

O fazendeiro espiou e lá estava o vizinho, todo encolhido. Em vez de ficar bravo, o fazendeiro achou a maior graça e todos caíram na risada, inclusive a esposa, que ficou aliviada.

: Preciso comprar esse saco mágico!: pediu o fazendeiro.: Vou lhe dar uma bela quantia por ele!

E assim, com a carrocinha cheia de moedas, o Pequeno Claus foi embora bem mais rico do que chegara, ainda rindo da brincadeira.

No caminho, passou pela casa do Grande Claus, que quase não acreditou ao ver tanto dinheiro.

: Como você ficou tão rico?: perguntou, com os olhos arregalados.

: Foi o meu saco mágico!: respondeu o Pequeno Claus, piscando o olho.

O Grande Claus, cheio de ganância, correu, encheu um saco velho com panelas amassadas e saiu gritando pela cidade:

: Comprem meu saco mágico! Comprem meu saco mágico!

Mas, por mais que ele sacudisse o saco, só se ouvia "tlanc, tlonc, tlanc" das panelas velhas. Ninguém quis comprar, e todos riram dele.

O Grande Claus voltou para casa emburrado. Sentou-se no degrau e ficou pensando. Aos poucos, entendeu uma coisa importante: não fora um saco mágico que enriquecera o Pequeno Claus, e sim a sua esperteza, o seu bom humor e a sua gentileza com todos. Copiar por inveja nunca dava certo.

No dia seguinte, envergonhado, o Grande Claus foi até a casa do vizinho.

: Me desculpe por viver de mau humor e com inveja: disse ele.: Você me ensinou uma boa lição.

O Pequeno Claus sorriu e lhe ofereceu um pedaço de pão quentinho. E, daquele dia em diante, os dois Claus viraram bons amigos, dividindo o que tinham e rindo juntos das histórias da estrada.

Moral da História

A esperteza usada com gentileza vale mais do que qualquer riqueza. A inveja só nos deixa infelizes; a bondade e o bom humor nos aproximam das pessoas.