Pequena dorminhoca

Certa manhã, quando o sol começava a subir por trás das colinas e todas as nuvens ainda estavam cor-de-rosa, uma criança dormia tranquila em sua caminha.
: Acorde, acorde!: tiquetaqueava o Relógio lá na parede.: Acorde, acorde!
Mas a criança não ouviu o Relógio e continuou dormindo, sonhando um sonho macio.
: Vou acordá-la: disse um Passarinho que morava na árvore perto da janela.: Ela me dá migalhas todos os dias. Vou acordá-la com uma canção bem doce.
E o passarinho cantou:
: Acorde, docinho, acorde, docinho!
Cantou tão lindo que todos os outros pássaros do jardim acordaram e cantaram junto. Mas a criança nem se mexeu e continuou dormindo em sua caminha.
Foi então que o Vento Sul passou soprando pelo jardim.
: Ah, eu conheço esta criança!: disse ele, gentil.: Ontem mesmo girei o moinho de vento para ela sorrir. Vou entrar pela janela e acordá-la com um beijinho de vento.
E o Vento Sul soprou de leve pela janela e fez cócegas nas duas bochechas da criança. Os cachos balançaram sobre o rostinho dela… mas a criança apenas suspirou e continuou dormindo.
: Ela está é esperando o meu chamado: disse o Galo, todo importante, lá no quintal.: Ninguém a conhece melhor do que eu. Vou acordá-la agora mesmo!
Então o Galo subiu na cerca, bateu as asas e cantou com toda a força:
: Cocoricó! Cocoricó! Está na hora de acordar!
Seu canto acordou as galinhas amarelas, as pombas do pombal e até o bezerrinho vermelho lá no curral. Os cordeirinhos do campo levantaram as orelhas para ouvir. O Galo cantou até ficar rouco… mas a criança continuou dormindo, quietinha em sua caminha.
Enquanto isso, o sol subia cada vez mais alto, espalhando sua luz dourada sobre a terra. O sol brilhou no quintal onde cantava o galo. Brilhou no jardim onde cantavam os pássaros. E, devagarinho, entrou pela janela e pousou bem no rostinho da criança.
E então… a criança abriu os olhos!
: Mamãe! Mamãe!: chamou ela, esticando os bracinhos.
A mãe entrou correndo, cheia de carinho.
: Quem, ah, quem acordou a minha pequena e doce dorminhoca?: perguntou ela, sorrindo.
Mas ninguém respondeu. Porque nem a própria Pequena Dorminhoca sabia que tinha sido o beijo quentinho do sol que a acordara com tanta ternura.
Moral da História
Cada coisa acontece no seu tempo certo. Com paciência e carinho, até o despertar mais preguiçoso vira um momento cheio de doçura.