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Pequena Bo-Peep

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

A Pequena Bo-Peep perdeu suas ovelhas e não sabia onde encontrá-las. Mas não se preocupe: deixe-as em paz e elas voltarão para casa, abanando o rabinho atrás delas. É assim que diz a velha cantiga de Bo-Peep. E esta é a história de como tudo aconteceu.

A Pequena Bo-Peep era uma menina muito querida. Suas bochechas brilhavam como pêssegos maduros e sua voz era doce como um sininho de prata. Ela cuidava de suas ovelhas com todo carinho, todos os dias, desde bem cedinho.

Mas, mesmo sendo uma menina tão boa, às vezes acontecia algum contratempo que a deixava triste. Foi o que ocorreu numa tarde de verão.

Cansada de acordar sempre com o sol mal nascido, Bo-Peep sentou-se num banquinho coberto de margaridas para descansar um pouquinho. O dia estava tão morno e a brisa tão gostosa que ela logo pegou no sono.

Agora, é preciso saber que o líder do rebanho de Bo-Peep era um carneirinho muito atrapalhado e curioso, que usava um sininho no pescoço. Todas as ovelhas sempre o seguiam para todo lado.

Quando viu que Bo-Peep havia adormecido, o carneirinho resolveu brincar. Ficou nas patas de trás, fez uma reverência engraçada para a própria sombra na grama e girou como um pião, sacudindo a cabeça e tocando o sininho.

Logo o rebanho inteiro começou a dançar também! E, cheios de alegria, todos saíram pulando atrás do líder, floresta adentro. Só que quanto mais andavam, mais longe iam, até que ficaram cansados e... perceberam que estavam perdidos.

Quando Bo-Peep acordou e viu o pasto vazio, seu coração deu um pulo.

: Minhas ovelhas! Para onde vocês foram?: chamou ela.

Sem perder tempo, foi procurá-las pela floresta. No caminho, encontrou pessoas trabalhando com enxadas e ancinhos e perguntou, educada, se tinham visto seu rebanho. Ninguém tinha visto. Depois chegou perto de um velho corvo empoleirado numa cerca.

: Senhor Corvo, o senhor viu minhas ovelhinhas?: perguntou, esperançosa.

Mas o corvo apenas grasnou: "Cráá, cráá!" e nada respondeu.

Bo-Peep continuou andando pelos campos até a noite cair. Estava com fome e um pouco assustada, quando avistou uma lucezinha ao longe. Era a janela de uma casinha velha. A porta estava tão escura e sombria que ela sentiu um friozinho na barriga e resolveu não entrar.

Foi então que ouviu, lá do alto de uma árvore, um chamado suave: "Piu, piu, piu!" Era uma grande coruja de olhos gentis, que batia as asas como se estivesse muito feliz em vê-la.

: Não tenha medo, menina: disse a coruja, com voz mansa.: Venha comigo, que eu vou ajudá-la.

Bo-Peep seguiu a coruja até uma cabaninha aconchegante, cheia de coisas boas para comer. E, para sua surpresa, a coruja começou a contar uma história:

: Preciso lhe confessar um segredo. Eu já fui uma princesa! Uma feiticeira me transformou em coruja há muito tempo, e só uma menina de bom coração pode me ajudar a voltar a ser quem eu era. As fadas me contaram que essa menina viria à floresta procurando suas ovelhas. Creio que é você!

Os olhos de Bo-Peep se arregalaram.

: E como posso ajudar?: perguntou.

: Esta noite, os elfos vão brincar com o seu rebanho no clarão encantado da floresta. Pela manhã, todas as ovelhas estarão bem. Só o rabinho do carneirinho travesso ficará escondido numa árvore. Se você pegá-lo e passá-lo três vezes por cima da minha cabeça, o encanto se quebra: explicou a coruja.: Agora durma tranquila. Eu cuido de você.

Bo-Peep adormeceu sob as asas gentis da coruja. No meio da noite, o lugar se iluminou com uma luz mágica. Bo-Peep viu, encantada, todas as suas ovelhinhas chegando ao clarão, cada uma com um elfo brincalhão montado nas costas. Os elfos riam e brincavam com os rabinhos, e depois recolocavam cada um no lugar: todos, menos o do carneirinho, que penduraram numa árvore.

Ao amanhecer, a coruja bateu as asas para lembrá-la da promessa. Bo-Peep pegou o rabinho na árvore e o passou, com todo cuidado, três vezes por cima da cabeça da coruja.

Num piscar de olhos, surgiu a princesa mais linda que já se viu, sorrindo de gratidão.

: Obrigada, menina de coração bondoso!: disse ela, abraçando Bo-Peep.

A princesa deu a Bo-Peep uma casinha nova e cheia de flores, bem no meio do campo. E as ovelhinhas, felizes por estarem de volta, nunca mais fugiram da sua gentil dona.

Moral da História

A bondade e a coragem nos guiam mesmo quando o caminho parece escuro. Quem ajuda com o coração sempre recebe ajuda de volta.