Papai Volta para Casa

Toda sexta-feira, assim que a aula terminava, Daluxolo corria para casa e ficava encostado no portão da frente, esperando. Ele nem tirava a mochila das costas, de tanta vontade que tinha de ver aquele momento chegar.
Seus amigos passavam pela rua chamando:
: Daaali! Vem jogar bola no campo de terra lá embaixo!
Mas ele sempre balançava a cabeça e sorria:
: Hoje não! Alguém muito especial está chegando. Todo fim de semana, o papai volta para casa.
Dali esticava o pescoço em direção à rua principal, o coração batendo forte, esperando o instante em que o Fusca branco do papai fizesse a curva na esquina.
E então… bii, biii! Lá vinha ele!
: Alô, Dali, meu rapaz!: gritava o papai, abrindo a porta com um sorriso enorme.: Sobe aí!
Dali subia depressa no banco da frente e terminava o caminho ao lado do pai, contando tudo o que tinha acontecido na semana. Quando o papai estava em casa, os dois se divertiam do começo ao fim, e tudo começava com a comida preferida deles, feita pela mamãe: polenta quentinha, linguiça grelhada e um molho de dar água na boca.
No sábado de manhã, pai e filho davam uma corridinha pelo bairro, rindo e disputando quem chegava primeiro. Depois do almoço, o papai ensinava Dali a jogar baralho, e à tarde o menino adorava ver o pai engraxar os sapatos assobiando suas músicas favoritas no rádio.
O domingo era o dia mais quietinho, porque chegava a hora da despedida. O papai precisava voltar ao trabalho, numa cidade distante, para cuidar da família.
: Vou sentir sua falta, papai: dizia Dali, abraçando-o forte.
: E eu a sua, meu rapaz: respondia o papai, dando um beijo em sua testa.: Mas já já a sexta-feira chega de novo.
E era verdade. Dali não ficava triste por muito tempo, porque, no fundo do coração, ele sabia de uma coisa boa: na próxima sexta-feira, o papai voltaria para casa outra vez.
Moral da História
O amor de uma família não se mede pela distância, mas pelo carinho do reencontro. Mesmo quem mora longe continua pertinho do nosso coração.