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Os três espíritos do Natal

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um homem de negócios chamado Ebenézer Scrooge. Ele era muito rico, mas não era nada simpático. Vivia trancado com seu dinheiro e nunca gastava um tostão com ninguém. Podia-se dizer que era o homem mais avarento da cidade.

Faltava pouco para o Natal, mas Scrooge não queria saber de festa nenhuma. "Bobagem!", resmungava ele. Naquela véspera, obrigou seu ajudante, o bondoso Bob Cratchit, a trabalhar até bem tarde, contando moedas e conferindo papéis.

Quando finalmente deixou o pobre Bob voltar para a família, Scrooge fechou o escritório e foi para casa, sozinho e mal-humorado como sempre.

No caminho, encontrou seu sobrinho Fred, todo animado.

: Tio, venha passar o Natal conosco! Vai ser uma noite tão alegre!: convidou o rapaz.

: Que bobagem! Eu detesto o Natal!: respondeu Scrooge, e mandou o sobrinho embora, de volta para o frio.

Naquela noite, porém, algo muito estranho aconteceu. Enquanto dormia, Scrooge recebeu a visita de um velho amigo, Marley, que havia partido tempos atrás.

: Scrooge, meu amigo, é preciso mudar!: disse Marley.: Se você continuar fechando o coração, viverá para sempre triste e sozinho. Ainda dá tempo de escolher outro caminho.

E avisou que, naquela noite, três espíritos do Natal viriam visitá-lo para ajudá-lo a enxergar melhor a vida.

Pouco depois, apareceu o primeiro deles.

: Eu sou o Espírito do Natal Passado: disse.: Venha comigo relembrar coisas de muito tempo atrás.

O espírito mostrou a Scrooge cenas de quando ele era menino, sozinho num colégio distante, e também os amigos e as pessoas queridas que ele foi deixando de lado por passar tempo demais preocupado com dinheiro.

: Chega, por favor: pediu Scrooge, com o coração apertado.: Não aguento mais lembrar!

O espírito desapareceu, e logo surgiu o segundo.

: Eu sou o Espírito do Natal Presente: disse ele, sorridente.: Quero lhe mostrar a casa do seu ajudante, Bob Cratchit.

Scrooge viu a família Cratchit reunida, pobre mas cheia de amor. Havia ali um menininho chamado Tiny Tim, que estava doente e precisava de cuidados e de mais conforto para melhorar.

: Se recebesse um salário mais justo, Bob poderia cuidar melhor do pequeno Tim: disse o espírito, com voz suave.

As imagens tocaram fundo o coração de Scrooge. Uma lágrima escorreu por seu rosto, e ele sentiu, pela primeira vez em muitos anos, uma vontade sincera de ajudar.

Então chegou o terceiro visitante, o Espírito do Natal que Ainda Está por Vir. Sem dizer palavra, mostrou a Scrooge como o futuro seria triste e solitário caso ele não mudasse. E mostrou também que, se nada fosse feito, o pequeno Tiny Tim poderia não ficar bom.

Aquilo foi demais para Scrooge. Ele caiu em prantos e disse:

: Eu quero mudar! Prometo ser gentil e generoso a partir de agora. Ainda há tempo, não há?

Quando acordou, era a manhã de Natal, e o sol brilhava lá fora. Scrooge estava tão feliz que quase não se reconhecia! Correu à loja e mandou entregar o maior peru da cidade à casa dos Cratchit. Deu a Bob um bom aumento e prometeu ajudar Tiny Tim a ficar forte e saudável.

Depois, procurou as pessoas que ajudavam os mais pobres e ofereceu uma boa quantia de dinheiro, pedindo desculpas por ter sido tão rabugento.

E foi assim que o velho e mal-humorado Scrooge se transformou num homem bondoso e caloroso. Aceitou o convite do sobrinho Fred e passou o Natal cercado de risadas e carinho.

Com muito cuidado e amor, o pequeno Tiny Tim foi ficando mais forte a cada dia. E Scrooge se tornou como um segundo pai para ele: dando não só presentes, mas o mais importante de tudo: muito, muito amor.

Moral da História

Nunca é tarde para abrir o coração e ser mais bondoso. A generosidade e o amor às pessoas trazem a maior felicidade que existe.