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Os Seis Servos

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez uma rainha muito rabugenta que tinha uma filha lindíssima. Só que ela era tão ciumenta que, sempre que alguém queria se casar com a princesa, exigia que a pessoa vencesse três desafios difíceis. Quem não conseguisse tinha que ir embora de mãos vazias, para nunca mais voltar.

Muitos rapazes, encantados com a beleza da princesa, tentaram a sorte, mas nenhum deles passava nas provas. Um dia, um jovem príncipe ouviu falar da moça e disse ao pai: "Querido pai, deixe-me ir até lá. Quero pedir a mão dela em casamento."

"Ah, meu filho, é muito arriscado", respondeu o rei, preocupado. O príncipe ficou tão triste que adoeceu, e por muito tempo nenhum médico conseguiu ajudá-lo. Vendo isso, o rei finalmente cedeu: "Pode ir, meu filho, e tente a sua sorte." Na mesma hora o príncipe ficou curado, levantou-se animado e partiu feliz pela estrada.

Pelo caminho, ele viu um homem enorme, de barriga imensa, deitado no chão. "Se você precisar de um ajudante, pode me contratar", disse o homem. "Quando eu quero, fico três mil vezes mais gordo!" "Isso pode ser útil", riu o príncipe. "Venha comigo!"

Andaram mais um pouco e encontraram um homem deitado na grama, com o ouvido colado no chão. "O que você está fazendo?", perguntou o príncipe. "Estou escutando", respondeu ele. "Consigo ouvir tudo o que acontece no mundo: até a grama crescendo!" "Que talento!", disse o príncipe. "Venha comigo também."

Logo depois, avistaram dois pés e um pedaço de perna espichados pela floresta afora: mas o resto do corpo sumia lá longe. "Nossa, como você é alto!", espantou-se o príncipe. "Ah, isto não é nada", disse o homem. "Quando eu me estico, fico mais alto que a montanha mais alta." E ele também se juntou ao grupo.

Adiante, encontraram um homem com uma venda nos olhos. "Seus olhos estão machucados?", perguntou o príncipe. "Não", respondeu ele. "É que meu olhar é tão forte que tudo o que eu vejo se parte em pedacinhos! Por isso uso a venda." Ele foi convidado a seguir com eles.

Mais à frente, viram um homem tremendo de frio, mesmo debaixo do sol quente. "Como pode?", perguntou o príncipe. "Quanto mais calor faz, mais frio eu sinto!", disse ele, batendo os dentes. "Você é uma pessoa e tanto!", riu o príncipe, e o levou junto.

Por fim, encontraram um homem que esticava o pescoço e enxergava terras distantes. "O que você está olhando?", perguntou o príncipe. "Tenho olhos tão bons que consigo ver o mundo inteiro!", respondeu ele. E assim o grupo ficou completo: o príncipe e seus seis ajudantes cheios de dons especiais.

Chegando ao castelo, o príncipe se apresentou à velha rainha: "Vim me casar com a sua filha." "Muito bem", disse ela. "Mas antes você terá que vencer três desafios. O primeiro: recupere o meu anel, que deixei cair lá no fundo do Mar Vermelho."

O príncipe reuniu seus ajudantes. "Alguém pode me ajudar?" O homem de olhos brilhantes olhou para longe: "Está ali, perto daquela pedra!" "Eu pego", disse o homem alto, "mas preciso enxergar." "Deixa comigo", disse o homem gordo, e num gole só bebeu o mar inteiro! O homem alto se abaixou, apanhou o anel, e num instante a água voltou ao lugar. O príncipe levou o anel para a rainha, radiante.

"É o meu anel mesmo", admitiu ela, surpresa. "Passou no primeiro desafio. Agora o segundo: nos meus campos pastam trezentas vacas gordas. Você precisa preparar um banquete enorme com elas e comer tudinho. Se sobrar comida, terá que ir embora." "Posso convidar um amigo? Sozinho não tem graça", pediu o príncipe. "Só um", riu a rainha.

O príncipe chamou o homem gordo, que se sentou à mesa e devorou o banquete todo, lambendo os dedos no final e perguntando se havia mais! Quando o príncipe voltou para contar que a prova estava vencida, a rainha ficou boquiaberta.

"Ninguém jamais chegou tão longe", disse ela. "Mas ainda falta o último desafio. Esta noite, levarei minha filha ao seu quarto. Você precisa ficar acordado a noite toda ao lado dela. Se, à meia-noite, ela tiver sumido, você terá perdido." "Que fácil!", pensou o príncipe. "É só não dormir."

Mas os ajudantes desconfiaram: "Cuidado, pode ser um truque. Fique bem atento." À noite, eles se sentaram em círculo ao redor da princesa, e o homem gordo se plantou na porta, para ninguém entrar nem sair. Só que, por volta das onze horas, um feitiço da rainha fez todos caírem no sono: e a princesa desapareceu!

Quinze minutos antes da meia-noite, o feitiço se desfez e todos acordaram assustados. "Ai, não! Estou perdido!", gemeu o príncipe. "Calma", disse o homem que ouvia tudo. "Ela está atrás de uma pedra, bem longe daqui, chorando." "Eu busco!", disse o homem alto, e num piscar de olhos trouxe a princesa de volta.

Quando o relógio bateu meia-noite, lá estavam todos sentados na sala, com a princesa sã e salva. A rainha, vendo aquilo, ficou pasma: "Você é capaz de coisas que nem eu consigo!" Mesmo assim, ainda tentou atrapalhar o casamento e sussurrou no ouvido da filha: "Que vergonha! Ele só venceu por causa dos ajudantes."

A princesa, que era um tanto orgulhosa, ficou irritada e disse ao príncipe: "Se quer mesmo se casar comigo, terá que ficar no meio do fogo por três dias!" Ao ouvir isso, os ajudantes sorriram: "Essa é fácil: vamos chamar o homem friorento!" Colocaram o homem que sentia frio bem no meio das chamas.

Depois dos três dias, ele saiu batendo os dentes: "Brrr! Nunca senti tanto frio na vida! Se durasse mais um pouquinho, eu virava um picolé!" E todos caíram na risada. Agora não havia mais desafios, e chegara a hora do casamento.

Mas o príncipe queria ensinar uma pequena lição à princesa orgulhosa. Depois da festa, em vez de levá-la para o palácio, ele a levou até uma casinha simples e disse: "Sabe, eu não sou príncipe de verdade. Sou um humilde criador de porcos, e vamos trabalhar juntos para viver."

A princesa acreditou e, no começo, ficou aborrecida. Vestiu roupas simples e foi trabalhar no campo. Cada dia que passava, ela pensava: "Fui orgulhosa demais... É bom aprender a ser mais humilde." Aos poucos, seu coração foi ficando mais gentil e agradecido.

Passados alguns dias, dois mensageiros chegaram e a levaram a um belo castelo. E lá estava o príncipe, vestido com trajes reais! "Eu quis apenas que você conhecesse a vida simples", disse ele, sorrindo com carinho. "Assim como eu passei por muito para chegar até você, era justo você aprender um pouquinho também."

A princesa, agora humilde e feliz, abraçou o príncipe. Fizeram uma grande festa, convidaram os seis ajudantes fiéis e viveram juntos, com alegria e bondade, para sempre.

Moral da História

Cada pessoa tem um dom especial, e é trabalhando juntos que fazemos grandes coisas. E o coração humilde, que sabe agradecer, encontra a verdadeira felicidade.