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Os passageiros do correio

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Fazia um frio gostoso naquela noite. O céu brilhava cheio de estrelas e nem uma brisinha soprava. Era véspera de Ano Novo, e o relógio da igreja batia meia-noite.

"Tan-ta-ra-ra! Tan-ta-ra-ra!", soou a corneta, e uma grande carruagem do correio chegou devagarinho até o portão da cidade. Ela vinha cheia: doze passageiros bem diferentes iam sentados lá dentro.

"Viva! Viva!", gritava o povo da cidade. Em todas as casas, as pessoas erguiam seus copinhos de suco para dar as boas-vindas ao ano que chegava. "Feliz Ano Novo!", desejavam umas às outras. "Muitos amigos, muita alegria e nenhuma tristeza!"

Diante do portão, a carruagem parou com os doze viajantes misteriosos. Cada um trazia sua mala e um presente para você, para mim e para toda a cidade. Mas quem seriam eles?

"Bom dia!", disseram os passageiros ao guarda do portão. "Bom dia!", respondeu o guarda, pois já era meia-noite. "Seu nome, por favor?", pediu ele ao primeiro que desceu.

O primeiro era um sujeito robusto, vestido com um casaco de pele quentinho e botas forradas. "Meu nome é JANEIRO", disse ele, sorrindo. "Sou o mês que abre o ano. Venha me visitar amanhã, que eu tenho um presentinho de Ano Novo para você!"

Logo desceu o segundo, um rapaz alegre e brincalhão, cheio de música. "Eu sou FEVEREIRO, o mês das festas!", anunciou. "Vamos dançar e brincar no carnaval! Sou o mês mais curtinho de todos, mas garanto que é o mais divertido. Viva!"

O terceiro parecia sério, mas trazia na lapela um buquê de violetas pequeninas, as primeiras da estação. "Sou MARÇO", disse ele. "Trago os primeiros sinais de que a primavera está chegando lá longe."

"Ei, Março!", chamou o quarto, dando risada. "Está sentindo o cheirinho da chuva?" Era o ABRIL, o mês trapalhão e cheio de surpresas. "Ora, uma hora faz sol, outra hora chove", disse ele. "Eu rio e choro conforme o dia! Trouxe até minhas roupas de verão nesta caixa, mas ainda é cedo demais para vesti-las."

Depois desceu uma moça encantadora, de vestido verde-clarinho e anêmonas no cabelo. Era a SENHORA MAIO, e ela cheirava tão bem a flores do campo que fez o guarda espirrar. "Que Deus o abençoe!", cantou ela, com uma voz doce como a de um passarinho da floresta.

Em seguida veio a delicada SENHORA JUNHO, no serviço da qual as tardes ficam longas e preguiçosas. "Ofereço o dia mais comprido do ano", disse ela, "para que haja tempo de sobra para brincar." Ao lado dela vinha o irmão mais novo, JULHO, um rapazinho gorduchinho de chapéu de palha, pronto para nadar no calor do verão.

Depois saltou a MADAME AGOSTO, a mãe caprichosa da colheita. Ela vendia frutas, cuidava da lavoura e ainda levava água fresquinha para os trabalhadores do campo. Terminada a colheita, adorava uma festa com música e dança na relva verde.

Então desceu SETEMBRO, o grande pintor. Ele era o mestre das cores! Quando chegava, a floresta trocava de roupa: as folhas brilhavam em tons de vermelho, dourado e marrom. Ele assobiava como um sabiá enquanto trabalhava, com o potinho de tinta na mão.

Atrás dele veio o ESCUDEIRO OUTUBRO, um fazendeiro que gostava de passear pelos campos com seu cachorrinho fiel. Trazia nozes na sacola e falava com orgulho sobre a plantação, entre um "crac, crac" e outro das castanhas.

"Atchim!", espirrou o próximo. Era NOVEMBRO, todo enroladinho num cachecol. "Estou meio resfriado", disse ele, "de tanto cortar lenha para aquecer as casas do vilarejo. Mas já estou preparando os patins, que logo, logo vem o gelo do inverno!"

Por fim desceu a última passageira: a velhinha MÃE DEZEMBRO, com seu banquinho ao lado do fogo. Ela era muito idosa, mas seus olhos brilhavam como duas estrelinhas. No braço, carregava um vasinho com um pequeno pinheiro.

"Este pinheirinho eu vou cuidar com todo o carinho", disse ela, "para que cresça até a véspera de Natal. Vou enfeitá-lo com maçãs douradas e velinhas acesas. Depois, vou sentar pertinho do fogo e ler uma história em voz alta, até todas as crianças ficarem quietinhas de tanto encanto."

"Muito bem!", disse o guarda do portão. "Agora estamos com os doze completos!" E, um a um, os meses se apresentaram, cada um com sua mala cheia de surpresas para o ano inteiro.

"Cada um de vocês ficará conosco por um mês", explicou o capitão de plantão. "Quando chegar a sua vez de partir, deixará para trás os seus presentes." E assim os doze viajantes seguiram, trazendo, cada um a seu tempo, um pedacinho de beleza para o mundo todo.

Moral da História

Cada mês do ano traz o seu próprio presente, com suas cores, seus cheiros e suas alegrias. Basta esperar com paciência e o coração aberto para descobrir a beleza que cada tempo tem a nos oferecer.