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Os Elfos Da Chuva

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Havia muito tempo que os pequenos Elfos da Chuva estavam presos em casa. O tempo andava quente demais, e eles não gostam nada de calor.

Suas mães, as Nuvens de Chuva, acordaram certa manhã e viram que o sol tinha se escondido atrás do céu cinzento.: Que bom!: disseram elas.: Hoje vocês podem descer e brincar um pouquinho na terra.

Mas logo avisaram, com carinho:: Cuidado, filhos: não desçam todos de uma vez. Vocês são muitos, muitos milhões! Se todos caírem juntos, a terra vai ficar encharcada. Vão só alguns de cada vez.

Assim, algumas criancinhas de cada família de nuvem passaram pela portinha e desceram saltitando até os jardins. E como os jardins ficaram felizes!

As flores, que estavam com sede, ergueram as cabecinhas caídas e sorriram.: Onde vocês estavam?: perguntaram elas.: Sentimos tanta saudade!

: A gente não esqueceu de vocês!: responderam os Elfos da Chuva.: Mas fez tanto calor que nossas mães não deixavam sair. Só podemos ficar um pouquinho, porque nossos irmãos também querem a vez. Voltamos logo, prometido!

As florzinhas ficaram tristes de ver os amigos indo embora tão cedo.: O que podemos fazer para que eles fiquem o dia inteiro?: cochichavam umas para as outras.

: Eu sei!: disse uma rosa afobada.: Vamos chamar a velha Bruxa do Vento para ajudar!

Um lírio franzino balançou a folha, preocupado:: Acho melhor não. É mais seguro confiar nas mães Nuvens de Chuva. Elas sabem o que é bom para a gente.

Mas ninguém deu ouvidos ao lírio. Uma malva-rosa bem alta foi na ponta dos pés chamar a Bruxa do Vento.

A Bruxa do Vento deu uma risadinha, porque adorava se meter onde não devia.: Podem deixar comigo: disse ela.: Vocês vão ter Elfos da Chuva o dia todo!

Sorrateira, ela subiu até as nuvens bem quietinha, para as mães não a ouvirem. E, uma por uma, foi abrindo as portinhas das nuvens e chamando os elfos:: Venham, venham! Seus irmãos estão se divertindo tanto que nem lembram de voltar!

Os pequenos Elfos da Chuva, animados demais, nem esperaram a licença das mães. Desceram devagarinho, plip, plip... mas logo se empolgaram e vieram todos juntos, splash, splash, splash!

No começo as flores riram e dançaram, felizes com a água fresquinha. Mas os elfos vinham tantos e tão depressa que o jardim foi ficando encharcado, e as pobres flores curvaram suas hastes sob o peso das gotas.

: Ai, ai! Eu não imaginava que vocês fossem tantos!: exclamou a malva-rosa, escorregando devagar até a poça.

: Eu bem que avisei: suspirou o lírio, baixinho.: Um pouquinho de cada vez é sempre melhor. As mães Nuvens de Chuva sabem disso.

Foi então que as mães acordaram e viram as portas todas abertas. Que aflição! Correram chamando:: Voltem, filhos, voltem para casa!

Nesse instante, o velho Sol espiou por entre as nuvens. Com seus raios quentinhos, mandou a Bruxa do Vento embora e secou o excesso de água com todo o cuidado.

Aos pouquinhos, os Elfos da Chuva sentiram o calor gostoso do Sol e lembraram de casa. Um a um, subiram de volta para os braços de suas mães.

O jardim ficou um tempinho abatido, mas logo o Sol o enxugou e as flores se ergueram de novo, mais sábias que antes.: Da próxima vez: disseram elas: vamos ficar felizes com alguns elfos de cada vez, do jeitinho que as mães ensinam.

E o lírio, todo contente, apenas sorriu.

Moral da História

Tudo tem a sua medida certa: o que é bom demais, de uma vez só, pode virar problema. Vale a pena escutar quem tem mais experiência e sabe o que é melhor para nós.