Os dois potes

Na beira quentinha da lareira viviam dois potes que eram vizinhos: um era de latão, forte e reluzente, e o outro era de barro, delicado e cor de terra.
Numa manhã de sol, o pote de latão espreguiçou-se e disse animado:: Amigo, o mundo lá fora é enorme! Que tal partirmos juntos numa grande aventura?
O pote de barro hesitou.: Ah, eu adoraria... mas veja como sou frágil. Um esbarrão mais forte e eu posso trincar. Acho mais sensato ficar aqui, no meu cantinho perto do fogo.
: Não se preocupe!: respondeu o pote de latão.: Eu caminho do seu lado e cuido de você. Se aparecer alguma pedra no caminho, eu protejo você primeiro.
Com o coração um pouquinho apertado, o pote de barro concordou. E lá foram os dois, balançando sobre suas perninhas curtas, tolop, tolop, para um lado e para o outro.
Mas a estrada era esburacada, e a cada solavanco os dois se aproximavam e: toc!: batiam um no outro. O pote de latão nem sentia, mas o pote de barro estremecia de medo.
: Ai!: pediu o pote de barro depois de mais um encontrão.: Amigo, cada esbarrão seu, mesmo sem querer, faz o meu barro tremer. Acho que este caminho não é para mim.
O pote de latão parou na hora. Olhou para o amigo e entendeu tudo.: Você tem toda a razão. De que serve uma aventura se ela machuca quem eu quero bem?
Com muito jeitinho, o pote de latão guiou o amigo de volta, abrindo espaço nas curvas e avisando de cada buraco, até deixá-lo são e salvo no cantinho quentinho da lareira.
Dali em diante, o pote de latão saía sozinho para explorar e, na volta, sentava-se ao lado do amigo para contar tudo o que tinha visto. E os dois eram mais felizes assim, cada um do seu jeito.
Moral da História
Cada um tem o seu tamanho e o seu ritmo. A amizade verdadeira respeita as diferenças e caminha com cuidado para não machucar quem a gente ama.