Os coelhos do pequeno rei

Certa manhã, quando o pequeno rei acordou, teve uma grande surpresa: todos os seus coelhinhos de estimação haviam sumido! E ninguém, nem mesmo a coruja que passara a noite acordada, sabia dizer o que tinha acontecido com eles.
Eram coelhos branquinhos, de olhos e orelhas cor-de-rosa, e você bem pode imaginar como o pequeno rei ficou tristonho ao descobrir que eles tinham desaparecido.
: Encontrem meus coelhos brancos, e eu darei a vocês tudo o que pedirem, nem que seja a coroa da minha cabeça!: anunciou ele a todos que vinham vê-lo.
E, claro, todos saíram correndo ao mesmo tempo à procura dos coelhinhos.
Os príncipes e princesas, os duques e duquesas, os condes e condessas, e todas as belas damas e cavalheiros da corte foram de carruagem até a cidade. Voltaram todos muito contentes, mas... sem os coelhos! Eles não os tinham encontrado, mas haviam comprado coelhinhos feitos de doce numa confeitaria.
: Estes são tão gostosos e docinhos, muito mais do que coelhos de verdade!: disseram eles.
Mas o pequeno rei não achava a mesma coisa e, meio sem graça, guardou os doces na despensa.
Os soldados do rei tinham certeza de que o reino vizinho havia levado os coelhos. Então marcharam colina acima, batendo seus tambores: bum, bum, bum! :, com seus uniformes vermelhos como a crista de um galo. Mas o rei vizinho nem sinal tinha visto das orelhinhas cor-de-rosa, e os soldados voltaram para casa de mãos vazias.
Os caçadores da corte acharam que as raposas tinham escondido os coelhos em suas tocas e correram floresta adentro para procurar. Fizeram muito barulho pelo caminho, mas também não adiantou nada: os coelhinhos não apareceram.
Os criados vasculharam o parque, o guarda deu de ombros, e o jardineiro correu ao jardim com medo de encontrar suas plantinhas mordidas. Mas as roseiras estavam intactas, com as rosas cor-de-rosa abrindo os botões ao sol. Nada de coelhos brancos em lugar nenhum.
Foi então que Peggy, a filhinha do jardineiro, resolveu procurar também. Ninguém no reino, nem mesmo o próprio rei, amava tanto aqueles coelhinhos quanto ela. Peggy sabia o nome de cada um, quantos aninhos tinham e do que mais gostavam de comer. Toda manhã, depois do café, ela subia da casinha onde morava com os pais para levar folhinhas de alface e de repolho para os bichinhos.
Ela foi direto até a coelheira. Sabia que os coelhos não estavam ali, é claro, mas precisava começar sua busca por algum lugar. Ao ver a gaiola vazia, ficou tão triste que duas lágrimas brilharam em seus olhos. Mas, antes que elas rolassem pelas bochechas, Peggy notou uma coisa: havia um buraquinho no canto da cerca!
: Ah, então foi por aqui que eles escaparam!: exclamou ela, enxugando os olhos e correndo para a estrada atrás da coelheira.
Na poeira branca do caminho, Peggy avistou muitas marquinhas que pareciam pegadas de coelho. Cheia de esperança, ela seguiu os rastros com todo o cuidado, até chegar a uma trilha verdinha e fresquinha que saía da beira da estrada.
: Esse é o lugar perfeito para coelhos!: pensou ela.: Coelho, coelhinho, cadê você?
Peggy espiou por toda parte. Não viu nenhum coelho, mas encontrou um montinho de trevo todo mordiscado.
: Foram dentinhos de coelho que roeram estas folhas!: disse ela, animada, apressando o passo.
A trilha terminava em duas estradas. Numa delas, só havia as pegadas dos soldados. Na outra, coberta de grama e florzinhas, não havia sinal de folha mordida. Peggy parou, sem saber qual seguir. Foi quando uma brisa gostosa soprou, trazendo um cheirinho especial.
: Sinto cheiro de repolho!: gritou ela.
E lá foi Peggy correndo, atravessando a florzinha e a mata, até chegar à hortinha de repolhos de uma velhinha. E ali, comendo folhas à vontade, todos juntinhos e felizes, estavam os coelhinhos brancos do pequeno rei!
Peggy voltou para casa correndo, tão depressa quanto tinha vindo. E foi enorme a alegria no palácio quando ela contou a novidade!
: Eu lhe darei tudo o que você pedir, nem que seja a coroa da minha cabeça!: disse o pequeno rei, radiante.
Todos os nobres se aproximaram, curiosos para saber o que Peggy escolheria.
: Peça uma carruagem com cavalos!: sussurrou um.
: Um saco de ouro!: disse outro.
: Uma casa e um grande terreno!: exclamou um terceiro.
Mas Peggy já sabia muito bem o que queria. Fez uma reverência ao rei e pediu, com um sorriso:
: Por favor, majestade, eu gostaria de ganhar um coelhinho branco só meu.
E, acredite: de tão feliz e agradecido, o pequeno rei deu a ela não um, mas dois coelhinhos!
Moral da História
Quem faz as coisas com amor e atenção enxerga o que os outros não percebem. E o coração mais generoso é aquele que se contenta com o que realmente lhe faz feliz.