Os Bombons mágicos

Numa cidade grande vivia um velho inventor muito curioso chamado Dr. Daws. Ele adorava misturar fórmulas coloridas e criar invenções mirabolantes. Na mesma cidade morava uma moça chamada Claribel Sudds, que tinha muito dinheiro e podia comprar tudo o que quisesse. E o que ela mais desejava no mundo era brilhar num palco de teatro.
O único probleminha é que Claribel não sabia cantar, nem dançar, nem tocar piano, nem recitar poesias. Cheia de esperança, ela foi até o Dr. Daws e desabafou:
: Eu não sei fazer nada disso, mas sonho em subir ao palco. O que eu faço?
: Volte amanhã, às duas horas em ponto: respondeu o inventor, com um sorriso maroto, já imaginando uma de suas invenções mágicas.
No dia seguinte, bem pontual, Claribel chegou. Todo orgulhoso, o Dr. Daws mostrou a ela uma caixinha com cinco bombons de cores diferentes.
: Com o bombom de chocolate: explicou ele :, você tocará piano lindamente, como se treinasse a vida inteira. O bombom cor-de-rosa fará você cantar como um rouxinol. O amarelo-limão deixará você saltitante como um ginasta. Com o branco, você recitará os poemas mais bonitos de cor. E, com o lavanda, dançará com a graça de uma bailarina!
: Que maravilha!: exclamou Claribel, encantada, pegando a caixinha e pagando o inventor.
Só que, no caminho de casa, Claribel entrou numa loja de roupas para comprar vestidos novos e, de tão distraída e animada, acabou esquecendo a caixinha de bombons no balcão.
Nessa mesma loja estava a jovem Bessie Bostwick, escolhendo um vestido para uma festa importante que daria em casa naquela noite. Sem perceber, na hora de sair, Bessie pegou a caixinha esquecida junto com suas compras e a levou embora.
Em casa, ao ver o pacotinho extra, ela pensou:
: Ah, são só uns bombons!: e os colocou numa tigela de doces.
Curiosa, Bessie provou o bombom de chocolate. Na mesma hora, sentiu uma vontade irresistível de tocar piano! Sentou-se ao instrumento e começou a tocar uma música linda atrás da outra. Seus pais quase não acreditavam no que ouviam, encantados.
Foi bem nesse momento que os convidados chegaram, incluindo um senador e um prefeito muito importantes, que ficaram maravilhados com o talento de Bessie.
Enquanto isso, o pai de Bessie, sem saber da magia, comeu o bombom cor-de-rosa e, de repente, começou a cantar sem conseguir parar! Gentilmente, ele ofereceu os outros bombons aos convidados. O prefeito comeu o amarelo-limão e, num pulo, começou a dar saltos e cambalhotas pela sala. A dona da casa, sem graça, provou o bombom branco e desatou a recitar poesias antigas. O senador, achando tudo muito estranho, guardou seu bombom lavanda no bolso do colete para comer depois e foi embora resmungando, certo de que estavam pregando uma peça nele.
No dia seguinte, o senador precisava fazer um discurso muito sério diante de uma plateia enorme. Ao procurar seus papéis no bolso, encontrou o bombom lavanda e, distraído, comeu-o. Poucos minutos depois, subiu ao palco... e sentiu uma vontade enorme de rodopiar na ponta dos pés! Lá foi ele girando e dançando como um bailarino, para o espanto de todos.
Foi então que Claribel Sudds, que por acaso estava na plateia, reconheceu tudo e se levantou:
: Ah! Aquele senhor está com os meus bombons mágicos! Foi por isso que ele começou a dançar!
Todos caíram na risada, e o senador, sem entender nada, também acabou rindo de si mesmo.
Claribel, que finalmente compreendeu como os bombons funcionavam, voltou muitas outras vezes à casa do Dr. Daws para pedir novos doces. Aos pouquinhos, com a ajudinha da magia e muita vontade de aprender, ela foi ficando cada vez melhor, até se tornar uma verdadeira artista, conhecida e querida por onde passava.
Moral da História
Todo talento fica ainda mais bonito quando cuidamos bem das nossas coisas e usamos nossos dons para espalhar alegria. E, no fim, um pouquinho de esforço vale tanto quanto a mais doce das mágicas.