Os Animais Falantes

Hulda e Nathan já tinham ouvido falar de uma floresta encantada onde os animais sabiam conversar, mas achavam que era só uma história inventada. Isto é, até o dia em que se viram passeando justamente por essa floresta.
Encantado, Nathan saiu correndo atrás de um esquilinho saltitante, e Hulda foi logo atrás. Quando quase alcançavam o bichinho, os dois perceberam que tinham se embrenhado numa parte da floresta que não conheciam.
: É melhor voltarmos: sugeriu Hulda :, porque está escurecendo e podemos nos perder.
Mas, em vez de encontrar o caminho de casa, eles pareciam entrar cada vez mais fundo entre as árvores. Quando a noite chegou, Hulda ficou com os olhinhos marejados.
: Não tenha medo: Nathan a confortou.: Hoje a lua vai brilhar bem forte, e tenho certeza de que encontraremos o caminho de volta.
Nisso, um brilho chamou a atenção dos dois. Era uma luzinha suave saindo de uma janelinha na lateral de uma árvore enorme. E uma voz gentil os chamou:
: Vocês estão perdidos, crianças?
Uma coruja de olhos grandes surgiu na janela.
: A senhora pode nos ajudar a sair da floresta?: perguntou Nathan.
: É longe demais para viajar de noite: respondeu a coruja.: Entrem e comam alguma coisa quentinha.
A portinha se abriu e as crianças entraram numa cozinha aconchegante. Dona Coruja, com um avental branco e uma touquinha combinando, serviu mingau com leite em tigelinhas. A gentileza dela logo deixou Hulda e Nathan bem à vontade. Depois do jantar, ela ainda mostrou orgulhosa suas três corujinhas dormindo enroladinhas numa caminha fofa.
: São os passarinhos mais bonitos de toda a floresta!: disse a mamãe coruja.
: Sem dúvida: respondeu Hulda com um sorriso carinhoso.
Na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, chegou a hora de partir. Foi então que Dona Coruja anunciou:
: Lá vem o Sr. Bruin, o urso pardo. Ele vai guiar vocês para fora da floresta. Não se preocupem: acrescentou ela, vendo o rostinho assustado das crianças.: Nenhum mal acontece a ninguém nesta floresta encantada.
O Sr. Bruin era um urso enorme, mas de coração doce e voz mansa. Enquanto caminhavam, ele contava histórias tão divertidas que os medos das crianças foram embora depressa. Pelo caminho, encontraram uma gralha-azul, uma coelha e uma esquila, e cada mamãe fez questão de mostrar, orgulhosa, seus filhotinhos. Todos eram fofos, cada um do seu jeitinho, e Hulda e Nathan os acharam encantadores.
Por fim, chegaram bem pertinho da trilha que saía da floresta. Ali, o Sr. Bruin parou.
: Não posso seguir além deste ponto: explicou ele com carinho.: Quem passa por essa trilha deixa de ouvir a fala dos animais encantados.
: Somos muito gratos: disse Nathan.: Foi um dia inesquecível.
: Voltem sempre que quiserem: respondeu o urso, dando um aceno gentil antes de desaparecer entre as árvores.
Enquanto caminhavam para casa, Hulda pensava, encantada, em todas as mamães que tinham conhecido.
: Você viu como cada uma achava seus filhotes os mais lindos do mundo?: comentou ela.
: É verdade: riu Nathan.: E o mais bonito é que, para uma mãe, o filhinho dela é sempre o mais especial de todos.
Hulda e Nathan nunca mais conseguiram achar o caminho de volta à floresta encantada. Mas guardaram no coração aquela linda aventura e ainda sonham em, um dia, reencontrar seus amigos de fala mansa e coração gentil.
Moral da História
A gentileza abre todas as portas, até as escondidas numa árvore encantada. E, para o coração de uma mãe, não há tesouro mais bonito do que o seu próprio filho.