Os animais e a peste

Houve um tempo em que uma gripe muito forte se espalhou pela floresta. Um por um, os animais foram ficando doentes e cansados, sem vontade de comer nem de brincar. A raposa nem pensava em jantar, e o lobo passava o dia deitado, sem forças.
Preocupado, o Leão, que era o rei daquelas terras, resolveu chamar todos para uma grande reunião.
Quando os animais se juntaram, ele se levantou e falou com voz séria:
: Meus amigos, precisamos descobrir por que esta doença chegou até nós. Talvez alguém tenha feito algo errado. Vamos ser honestos: cada um deve confessar suas faltas, para que possamos resolver isso juntos.
O Leão começou, batendo no peito:
: Eu confesso que, muitas vezes, fui guloso e comi mais do que precisava. Nem sempre reparti minha comida com os outros. Peço desculpas.
A Raposa, então, foi logo bajulando o rei:
: Ora, majestade, o senhor é bom demais! Isso nem é falta. E o senhor é o rei, pode fazer o que quiser!
O Lobo concordou depressa:
: É verdade! O rei não tem culpa de nada. Nem eu, nem a raposa. Devemos procurar o culpado entre os menores e mais fraquinhos!
Todos os bichos grandes se olharam, aliviados, prontos para culpar alguém indefeso. Foi então que apontaram para o pobre Burro, que estava quietinho num canto.
: Deve ter sido o Burro!: disseram.: Ele com certeza fez algo terrível!
O Burro, tímido e assustado, abaixou as orelhas.
: Eu... eu só me lembro de uma vez em que estava com muita fome e comi um punhadinho de capim verde do jardim...: confessou ele, tremendo.: Foi só isso, juro.
: Ahá! O culpado é o Burro!: gritaram os grandes, contentes por terem achado alguém para culpar.
Mas, naquele instante, uma corujinha sábia, que observava tudo lá do alto de um galho, resolveu falar:
: Esperem um pouquinho!: disse ela, com firmeza.: O Leão comeu demais, o Lobo caçou muitos animais, mas ninguém achou isso errado. E agora querem culpar o Burro só porque ele é pequeno e comeu um pouquinho de capim? Isso não é justo!
Os animais ficaram em silêncio, envergonhados. A corujinha tinha toda razão. Eles perceberam que estavam sendo injustos, procurando alguém fraco para culpar em vez de olhar para si mesmos.
: A coruja está certa: reconheceu o Leão, baixando a cabeça.: Não é justo culpar o mais fraquinho para nos livrarmos da culpa. Peço perdão, Burro.
Envergonhados, mas com o coração mais leve, os animais decidiram fazer diferente. Em vez de procurar culpados, resolveram cuidar uns dos outros. Levaram água fresca e frutinhas para os doentes, cobriram os que sentiam frio e ficaram todos juntos, se ajudando.
Pouco a pouco, com tanto carinho e cuidado, todos foram melhorando. A floresta voltou a ficar cheia de saúde e alegria: e, dessa vez, mais unida do que nunca.
Moral da História
Não é justo culpar os mais fracos para se livrar da própria responsabilidade. A verdadeira justiça trata todos com igualdade, e é cuidando uns dos outros que superamos as dificuldades.