Oh Chuva, Venha

Era uma tarde quente de verão, dessas em que o sol brilha forte e o ar parece parado. Lilato abanava o rostinho com as mãos, tentando espantar o calor.
: Ai, que calorão…: suspirou ela.: Se ao menos chovesse um pouquinho!
: Também queria: resmungou seu irmão, Mayamiko, deitado no chão fresquinho. Estava quente demais para brincar lá fora, e os dois estavam entediados dentro de casa.
Foi então que Lilato ouviu um barulhinho: ndo-ndo! Parecia uma pedrinha quicando no telhado.
Ela olhou para o irmão, mas ele nem se mexeu. Na pontinha dos pés, curiosa, Lilato foi até a janela e espiou o céu. As nuvens estavam ficando cinzentas, quase pretas, pesadas de chuva.
O coração de Lilato bateu de alegria. Ela se lembrou da música que sua melhor amiga, Mwansa, havia lhe ensinado, e começou a cantar baixinho, esfregando os dedinhos no ritmo:
: Wemfula isa isa… Ó chuva, venha… Twangale na mainsa… Pra gente brincar na chuva… Wemfula isa isa… Ó chuva, venha…
Ndo-ndo-ndo-ndo-ndo! De repente, muitos pingos começaram a cair do céu, tamborilando no telhado.
: Maya! Tá chovendo!: gritou Lilato, pulando de felicidade.: Tá chovendo mesmo!
Os dois irmãos correram para fora de casa, rindo alto. A mamãe já estava colocando baldes ao redor da casa para juntar a preciosa água da chuva.
Na estrada em frente, outras crianças também tinham saído para se molhar. Logo um coro alegre ecoava por todo o bairro: "Wemfula isa isa, twangale na mainsa!"
O céu se abriu e despejou uma chuva gostosa e refrescante, que se misturava às risadas e à cantoria. Lilato girava de braços abertos, sentindo cada gotinha, feliz da vida. A espera havia valido a pena.
Moral da História
Toda espera tem seu tempo, e as coisas boas chegam na hora certa. Quando elas chegam, vale a pena celebrar com alegria e dividir a felicidade com os amigos.