O Tinderbox

Era uma vez um soldado bondoso que voltava para casa depois de muito tempo servindo em terras distantes. Ele caminhava pela estrada, cansado mas de bom humor, quando encontrou uma velhinha misteriosa sentada à beira do caminho.
: Boa tarde, soldado!: disse ela.: Que tal ganhar um bom dinheiro hoje?
: Ora, quem não gostaria?: respondeu o soldado, curioso.
A velhinha apontou para uma árvore enorme e oca ali perto.
: Dentro dessa árvore há um túnel com três portas: explicou ela.: Atrás de cada porta há um baú cheio de moedas, e cada baú é guardado por um cachorro muito grande, de olhos enormes e brilhantes. Mas não tenha medo: eles são bonzinhos. Basta estender este meu aventalzinho no chão e sentar os cachorros em cima, que eles ficarão calminhos. Pode encher os bolsos de moedas à vontade.
: E o que a senhora quer em troca?: perguntou o soldado.
: Só uma coisinha: lá dentro há uma velha caixa de fósforos, minha antiga lanterna mágica. Traga-a para mim, por favor.
O soldado desceu pela árvore e encontrou tudo como a velhinha havia dito. Atrás da primeira porta, um cão de olhos grandes como pratos guardava moedas de cobre. Atrás da segunda, um cão de olhos grandes como rodas guardava moedas de prata. E atrás da terceira, um cão de olhos grandes como torres guardava moedas de ouro reluzente!
Com jeitinho e um carinho na cabeça de cada cachorro, o soldado encheu os bolsos e pegou também a tal caixinha de fósforos.
De volta à luz do dia, ele entregou a lanterna mágica à velhinha, agradeceu de coração e seguiu seu caminho, agora rico. A velhinha, satisfeita, foi embora sorrindo pela estrada.
O soldado se hospedou no melhor quarto da cidade, vestiu roupas bonitas e dividiu deliciosos jantares com muitos amigos. Mas, como não sabia poupar, um dia o dinheiro simplesmente acabou. Os amigos que só apareciam pelas festas sumiram, e ele foi morar num quartinho pequeno e frio.
Numa noite escura, para acender uma vela, o soldado riscou a velha caixa de fósforos que havia esquecido no bolso. E que surpresa! Assim que a chama acendeu, PUF!, apareceu o cachorro de olhos grandes como pratos.
: Você me chamou, meu amigo?: disse o cão, abanando o rabo.: A caixa é mágica! Basta riscá-la e nós, os três cães, viremos ajudar no que você precisar.
O soldado quase caiu de tanta alegria. Com a ajuda dos amigos peludos, ele voltou a ter o suficiente para viver bem: mas dessa vez prometeu ser mais cuidadoso.
Naquela cidade vivia um rei que tinha uma filha muito gentil, a princesa. Só que o rei, com medo de que ela crescesse depressa, quase nunca deixava a princesa sair do castelo, e ela vivia solitária e triste.
O soldado, que tinha ouvido falar de sua tristeza, pediu ajuda ao cachorro de olhos como torres. À noite, o cão gentil levou a princesa, com todo o cuidado, para conhecer o soldado. Os dois conversaram, riram e viraram grandes amigos. A princesa há tempos não se sentia tão feliz.
Quando o rei descobriu os passeios secretos, ficou muito bravo e mandou prender o soldado. No dia seguinte, decidiria seu destino diante de toda a cidade.
Mas o soldado ainda tinha a caixinha mágica. Diante do rei, da rainha e de toda a multidão, ele riscou os fósforos: PUF! PUF! PUF!: e os três enormes cachorros apareceram de uma só vez.
Eles não machucaram ninguém: apenas se sentaram, imensos e mansos, ao lado do soldado, olhando para o rei com seus olhos gigantes e cheios de bondade. A princesa correu até o pai e disse:
: Papai, esse soldado é gentil e verdadeiro! Foi ele quem me devolveu a alegria.
O rei olhou para a filha sorridente, olhou para os cães tranquilos e para o soldado corajoso, e seu coração se abrandou. Ele percebeu que julgara depressa demais.
: Perdoe-me, soldado: disse o rei.: Vejo que você tem um bom coração. Fico feliz em recebê-lo em nossa família.
E assim houve uma grande festa no castelo. O soldado e a princesa cuidaram um do outro para sempre, e os três cachorros de olhos brilhantes ganharam o lugar de honra ao lado do trono: e também bem pertinho da mesa do banquete.
Moral da História
A verdadeira riqueza está na bondade e nos amigos de verdade. Quem tem um bom coração acaba encontrando alegria e não fica sozinho.