O Salto

Numa casinha amarela morava um grande cachorro preto. Ele era alegre e adorava, mais do que tudo, pular bem alto. Tinha comida gostosa, uma caminha macia e muitos brinquedos, mas mesmo assim faltava alguma coisa para ele ser completamente feliz.
Sua dona trabalhava quase o dia inteiro, então só podiam brincar no fim da tarde. Durante o dia, o Cachorro Preto ficava sozinho no jardim, sentindo um pouquinho de saudade. Na casa grande bem ao lado morava uma menininha com dois cachorros cheios de pintinhas.
Certa manhã, assim que a dona saiu para o trabalho, o Cachorro Preto ouviu a menininha rindo do outro lado do muro.: Ah, como seria bom ter alguém para brincar agora!: suspirou ele.
Então ele teve uma ideia e começou a pular. Pulou... e pulou... e pulou... até que deu um salto tão alto que caiu bem no meio do jardim da vizinha! No começo, o Cachorro Preto se divertiu bastante.
Mas logo a menininha começou a puxar o rabo dele e a torcer suas orelhas.: Ai, assim não tem graça!: choramingou o Cachorro Preto. Então ele resolveu voltar para casa. Pulou... e pulou... e pulou... até dar um salto tão alto que caiu de novo no seu próprio jardim.
Na casa grande do outro lado morava uma velhinha com um cachorrinho amarelo.: Aposto que ela não vai puxar meu rabo nem torcer minhas orelhas. Seria ótimo brincar com ela!: pensou o Cachorro Preto. E lá foi ele: pulou... e pulou... e pulou... até cair no jardim da velhinha.
No comecinho foi uma delícia: a senhora fez carinho atrás das orelhas dele e cocegas na barriga. Mas, depois de um tempo, ela se sentou na cadeira de balanço para tirar uma soneca, e o Cachorro Preto ficou entediado.: Aaaah...: bocejou ele, sem ninguém para brincar.
Então ele pulou mais uma vez. Pulou... e pulou... e pulou... até cair, de novo, no seu próprio jardim. Ali, sentado na grama, ficou pensando em como seria o resto do dia.
Quando a tarde chegou, sua dona voltou para casa. Ela não puxou o rabo dele nem ficou dormindo na cadeira. Pelo contrário: chamou o Cachorro Preto para o jogo preferido dos dois e disse o quanto havia sentido a falta dele o dia todo.
: Ela me ama, e eu amo ela. No fim das contas, sou um cachorro de muita sorte!: suspirou feliz o Cachorro Preto, enquanto os dois se aconchegavam juntinhos no sofá, prontos para uma tarde cheia de brincadeiras.
Moral da História
Às vezes, o que procuramos longe já está bem pertinho de nós. Vale a pena dar valor ao carinho e ao lar que já temos.