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O porco-espinho e as cobras

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um porco-espinho que andava pelo mundo à procura de um lar quentinho para o inverno. Ele caminhou por campos e florestas até que, numa encosta, encontrou uma caverna pequena e aconchegante. Lá dentro morava uma família de cobras, todas enroladinhas para se aquecer.

O porco-espinho espiou pela entrada e pediu, com muita educação:

: Com licença, amigas cobras. O frio está chegando e eu ainda não tenho onde morar. Será que vocês me deixariam dividir esta caverna com vocês?

As cobras, que eram bondosas, olharam umas para as outras e concordaram:

: Claro que sim! Entre e fique à vontade. Há espaço para todos.

No começo, tudo ia bem. Mas o porco-espinho era coberto de espinhos afiados, e a caverna era pequenina. Cada vez que ele se virava, se espreguiçava ou se ajeitava, seus espinhos cutucavam as pobres cobras.

: Ai!: dizia uma.: Ui!: reclamava outra.: Cuidado com os espinhos, por favor!

: Ah, me desculpem: respondia o porco-espinho, mas logo se mexia de novo, e lá vinham as picadinhas outra vez.

Depois de alguns dias sem conseguir descansar direito, as cobras se reuniram e, com muita delicadeza, pediram:

: Amigo porco-espinho, nós gostamos muito de você, mas a caverna é pequena demais para todos. Seus espinhos nos machucam sem querer. Será que você poderia procurar outro cantinho?

O porco-espinho, porém, havia se acostumado com o conforto e não quis nem ouvir.

: Ora, mas eu estou tão bem aqui!: respondeu ele, esticando-se sem se importar.: Se para vocês está apertado, quem sabe vocês é que deveriam procurar outro lugar.

As cobras ficaram tristes. Aquele que elas haviam recebido com tanto carinho não estava pensando nelas de jeito nenhum. Sem querer discutir, resolveram partir em busca de um novo lar, deixando a caverna para o hóspede que se esquecera das boas maneiras.

E, enquanto se afastavam, uma delas comentou baixinho para as outras:

: Da próxima vez, vamos conversar com calma antes de abrir a nossa casa. E, se um dia formos hóspedes na casa de alguém, vamos lembrar de pensar sempre no conforto de quem nos recebeu.

Moral da História

Ao dividir um espaço, precisamos pensar no conforto dos outros, e não só no nosso. Quem é recebido com carinho deve retribuir com consideração e boas maneiras.