O Plátano

Num dia de verão muito quente, dois viajantes caminhavam por uma estrada empoeirada. O sol brilhava tão forte que suas testas escorriam de suor e seus pés já pediam descanso.
: Ah, como eu queria uma sombra agora!: suspirou o primeiro viajante.
Foi então que avistaram, um pouco adiante, uma árvore enorme e frondosa, de galhos abertos como um guarda-chuva verde. Correram para debaixo dela e se deitaram na relva fresca, aliviados.
: Que delícia!: disse o segundo viajante, esticando as pernas.: Aqui está bem mais fresquinho.
Enquanto descansavam, ficaram olhando para cima, entre as folhas que balançavam com a brisa. E um deles, meio sem pensar, resmungou:
: Que árvore mais sem serventia é este plátano! Não dá nenhuma fruta boa para a gente comer. Só serve para largar folhas caídas pelo chão.
O outro concordou, com um bocejo:
: É verdade. Uma árvore bem inútil.
Nisso, uma voz suave e serena pareceu vir lá de cima, das folhas:
: Que criaturas ingratas vocês são!: disse o plátano, com doçura.: Estão deitados justamente sob a minha sombra, protegidos do sol escaldante, respirando o ar fresco que eu ofereço com carinho, e ainda assim me chamam de inútil?
Os dois viajantes ficaram sem jeito e olharam um para o outro, envergonhados. Só então perceberam o quanto aquela árvore os havia ajudado sem pedir nada em troca. A sombra que os refrescava era o maior presente que poderiam receber naquele momento.
: Perdoe-nos, plátano generoso: disse o primeiro viajante, levantando-se e afagando o tronco.: Não soubemos enxergar o bem que você faz.
Descansados e envergonhados de sua ingratidão, os dois seguiram viagem: mas, dali em diante, nunca mais passaram por uma árvore sem agradecer pela sombra que ela oferece.
Moral da História
Muitas vezes recebemos coisas boas sem perceber o seu valor. Ser grato pelo bem que os outros nos fazem, mesmo o mais simples, é sinal de um coração bondoso.