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O Pequeno Polegar

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez, numa cabaninha bem na beira da floresta, uma família de lenhadores muito pobre. Eram sete irmãos, e o mais novo de todos era tão pequenininho, mas tão pequenininho, que cabia na palma da mão. Por isso todos o chamavam com carinho de Pequeno Polegar.

Pequeno Polegar falava pouco, mas era o mais esperto e observador da família. Enquanto os irmãos corriam e brincavam, ele reparava em tudo: no caminho das formigas, na direção do vento e, principalmente, nas pedrinhas branquinhas espalhadas pelo chão.

Aqueles eram tempos difíceis. A comida andava escassa, e em muitas noites a família dormia com bem pouquinho na barriga. Mesmo assim, dentro daquela casa nunca faltou um abraço.

Certo dia, o pai levou os meninos para juntar lenha bem no fundo da mata. A floresta era enorme, e quando a tarde escureceu, os sete irmãos perceberam, assustados, que já não sabiam voltar.

: E agora?: choramingou o irmão mais velho.: Estamos perdidos!

: Calma: disse Pequeno Polegar, com um sorriso tranquilo.: Eu vim preparado.

Sem que ninguém percebesse, ele havia enchido os bolsos de pedrinhas branquinhas e deixado cair uma a cada passo do caminho. Agora, sob a luz prateada da lua, as pedrinhas brilhavam como estrelinhas no chão, mostrando a trilha exata de volta para casa.

Quando os sete meninos chegaram, o pai e a mãe correram para abraçá-los, chorando de alegria e de alívio.

Mas os dias magros continuaram, e certa vez os irmãos se embrenharam ainda mais longe procurando frutinhas. Dessa vez a noite chegou depressa, e por mais que Pequeno Polegar procurasse, não havia pedrinhas para guiá-los. Foi então que avistaram, entre as árvores, uma casa enorme com uma janelinha iluminada.

Uma mulher gentil abriu a porta. Ao ver os sete rostinhos cansados e famintos, seu coração se apertou.

: Podem entrar e comer, meus queridos: disse ela.: Mas fiquem quietinhos: meu marido é um gigante muito grande e muito ranzinza, e não gosta nadinha de visitas.

Os meninos comeram uma sopa quentinha e foram dormir num quarto onde já cochilavam as sete filhas do gigante, cada uma com uma coroinha dourada na cabeça. Os irmãos usavam gorros de dormir.

No meio da noite, ouviu-se um vozeirão pela casa:

: Sinto cheirinho de gente pequena por aqui!: resmungou o gigante.

: Ora, marido, é o cheirinho da sopa: respondeu a esposa, com jeitinho.

Mas o gigante, curioso e sem enxergar direito no escuro, foi espiar o quarto. Pequeno Polegar, sempre esperto, teve uma ideia rápida: com muito cuidado, trocou as coroinhas das meninas pelos gorros dos irmãos. Assim, no breu do quarto, o gigante ficou tão confuso que não sabia mais quem era quem. Coçou a cabeça, bocejou e voltou para a cama resmungando.

Antes do sol nascer, Pequeno Polegar acordou os irmãos e, na ponta dos pés, todos escaparam pela floresta.

Quando o gigante descobriu que as visitas tinham ido embora, calçou suas famosas botas de sete léguas: botas mágicas que davam um passo enorme, do tamanho de sete campos!: e saiu a passos gigantes atrás dos meninos.

Mas Pequeno Polegar escondeu os irmãos dentro de uma pedra oca. O gigante, cansado de tanto passo largo, sentou-se justamente naquela pedra para descansar e, de tão exausto, adormeceu roncando alto.

Bem devagarzinho, Pequeno Polegar puxou as enormes botas dos pés do gigante adormecido. E, como eram mágicas, as botas encolheram na mesma hora até ficarem do tamanho certinho para ele.

Com as botas de sete léguas, Pequeno Polegar voou pelos campos num piscar de olhos e levou os irmãos em segurança para casa. O gigante, agora sem suas botas, ficou bem mais lento e, com o tempo, bem mais mansinho: e a esposa gentil respirou aliviada.

Como agora era o menino mais veloz de todo o reino, Pequeno Polegar foi falar com o rei e se ofereceu para ser o mensageiro real, levando cartas urgentes de um canto ao outro do país mais rápido que qualquer cavalo. O rei ficou encantado e o pagou muito bem, com moedas de ouro reluzentes.

De volta ao lar, o pequeno herói encheu a mesa de comida, e nunca mais a família passou fome. E toda noite, antes de dormir, os seis irmãos faziam questão de dar um abraço apertado no menorzinho: e mais valente: de todos.

Moral da História

O tamanho não mede a coragem nem a esperteza. Muitas vezes é o menorzinho, com atenção e bom coração, quem encontra a saída e cuida de quem ama.