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O pequeno alfaiate corajoso

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Numa bela manhã de verão, um pequeno alfaiate estava sentado à janela, costurando alegremente. O sol entrava quentinho e ele cantarolava enquanto puxava a linha para lá e para cá.

Foi então que ouviu uma voz na rua: "Geleia fresquinha! Quem quer geleia de frutas bem docinha?" O alfaiate colocou a cabeça para fora da janela e chamou: "Suba aqui, senhora, que eu vou comprar um pouquinho!"

A mulher subiu os degraus com suas cestas e o alfaiate escolheu um vidro pequeno de geleia. Ele espalhou a geleia numa fatia de pão e sorriu: "Que delícia vai ser! Mas primeiro preciso terminar este casaco."

Enquanto costurava, um bando de moscas pousou no pão, atraído pelo cheiro doce. "Ei, quem convidou vocês?", riu o alfaiate. Ele abanou o pano com força e, de uma só vez, espantou sete moscas para bem longe da janela.

"Sete de uma vez! Que valente eu sou!", disse ele, cheio de orgulho. Então bordou num cinto bem bonito as palavras "Sete de um golpe" e resolveu que ia mostrar sua coragem para o mundo inteiro.

Levou consigo apenas um pedaço de queijo macio e um passarinho, e partiu pela estrada. Subiu depressa uma montanha e, lá no alto, encontrou um gigante descansando à sombra.

"Bom dia, amigo!", disse o alfaiate, sem sentir medo nenhum. O gigante olhou para aquele homenzinho e riu: "Um sujeitinho tão pequeno querendo conhecer o mundo?"

"Pode rir, mas veja só", respondeu o alfaiate, mostrando o cinto com "Sete de um golpe". O gigante pensou que ele tinha derrubado sete homens de uma só vez e ficou impressionado.

"Se você é tão forte", disse o gigante, "aperte esta pedra até sair água." Ele apertou uma pedra até pingar. O alfaiate, esperto, tirou o queijo do bolso e apertou até escorrer. "Facílimo!", disse ele.

O gigante então atirou uma pedra tão alto que demorou a cair. "Bonito arremesso", disse o alfaiate, "mas a sua voltou. A minha não volta!" E soltou o passarinho, que subiu feliz pelo céu e desapareceu entre as nuvens.

O gigante coçou a cabeça, sem entender. "Venha carregar esta árvore comigo", desafiou ele, apontando um carvalho caído. "Com prazer", disse o esperto. "Você pega o tronco e eu levo os galhos." E, sem o gigante ver, sentou-se nos galhos e foi levado montanha abaixo, assobiando.

Os gigantes ficaram admirados com tanta esperteza e, com um pouco de receio, resolveram deixar aquele homenzinho seguir seu caminho em paz. O alfaiate agradeceu e foi embora contente.

Andou muito até chegar diante de um belo palácio. Cansado, deitou-se na grama e adormeceu. Quem passava lia o cinto "Sete de um golpe" e logo a notícia chegou ao rei: um herói valentíssimo estava na cidade.

O rei o chamou e disse: "Se você é mesmo tão corajoso, ajude o meu reino. Dois gigantes andam assustando as pessoas na floresta. Convença-os a irem morar bem longe, e você ganhará a mão da princesa e metade do reino."

O alfaiate aceitou. Entrou na floresta e encontrou os dois gigantes roncando debaixo de uma árvore. Com muita esperteza, ele atirou pequenas bolotas de carvalho, uma de cada vez, ora em um, ora em outro.

"Pare de me cutucar!", resmungou um gigante. "Eu não fiz nada!", respondeu o outro. Achando que estavam sendo importunados por alguém muito poderoso, os dois gigantes levantaram-se depressa e correram para longe dali, prometendo nunca mais voltar a incomodar ninguém.

O alfaiate voltou ao rei, mas o rei ainda pediu mais uma prova: capturar um unicórnio bravo. O alfaiate foi à floresta e, quando o unicórnio investiu, ele saltou para trás de uma árvore. O chifre do bicho ficou preso no tronco! Com jeitinho, o alfaiate acalmou o unicórnio, soltou-o devagar e o levou, mansinho, até o rei.

Ainda assim o rei pediu que ele afastasse um javali que assustava os caçadores. O alfaiate correu para dentro de uma capelinha na floresta e saiu pela janela do outro lado. O javali entrou atrás dele, e o esperto fechou a porta: o bichão ficou preso lá dentro, a salvo, sem machucar ninguém.

O rei, vendo tanta esperteza e coragem, cumpriu sua promessa com alegria. Houve uma grande festa, com música, danças e docinhos, e o pequeno alfaiate se casou com a princesa.

Certa noite, a princesa descobriu que seu marido era, na verdade, um alfaiate. No começo ficou surpresa, mas logo percebeu que ele havia conquistado tudo com inteligência, bom coração e coragem, e não com força bruta. E os dois viveram muito felizes, governando o reino com sabedoria.

Moral da História

Inteligência e coragem valem mais do que tamanho e força. Quem usa a esperteza com bondade pode vencer até os maiores desafios.