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O Pêndulo Descontente

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Numa cozinha aconchegante de uma fazenda, havia um velho relógio que trabalhava fielmente havia cinquenta anos, sem nunca dar ao seu dono um único motivo de reclamação. Mas, certa manhã de verão, antes de a família acordar, o relógio de repente parou.

No mesmo instante, uma grande confusão tomou conta de suas peças. O mostrador ficou pálido de susto, os ponteiros tentaram em vão continuar seu caminho, as rodas ficaram imóveis de surpresa e os pesos penduraram-se, caladinhos. Cada peça começou a desconfiar da outra.

: Quem foi o culpado por isso?: perguntou o mostrador, decidido a descobrir.

: Eu não fui!: disseram os ponteiros.: Nem nós!: juntaram-se as rodas e os pesos.

Foi então que, lá de baixo, uma vozinha tímida se ouviu. Era o pêndulo:

: Confesso que fui eu quem parou o relógio: disse ele.: E vou explicar por quê. A verdade é que estou cansado de fazer tique-taque o dia inteiro.

Ao ouvir aquilo, o velho relógio quase deu uma badalada de espanto.

: Ferro preguiçoso!: exclamou o mostrador, erguendo os ponteiros.

: Ah, é muito fácil para o senhor falar, seu Mostrador!: respondeu o pêndulo.: O senhor fica lá em cima, à vista de todos, só olhando as pessoas e se divertindo com tudo o que acontece na cozinha. Já eu vivo trancado neste armário escuro, balançando de um lado para o outro, ano após ano. Imagine só se fosse o senhor!

: Mas não há uma janelinha por onde você possa espiar?: perguntou o mostrador.

: Até há: suspirou o pêndulo :, mas eu nunca posso parar, nem por um segundinho, para olhar lá fora. E hoje de manhã fiquei pensando: quantas vezes eu ainda terei que fazer tique-taque só nas próximas vinte e quatro horas? Alguém aí em cima sabe me dizer?

O ponteiro dos minutos, que era rápido com números, respondeu:

: Oitenta e seis mil e quatrocentas vezes!

: Pois é!: disse o pêndulo, desanimado.: Só de pensar nesse tanto todo, eu já me canso! E, quando comecei a multiplicar pelos dias, pelos meses e pelos anos, fiquei tão desanimado que resolvi: "Vou parar."

O mostrador ouviu tudo com paciência e, com muita gentileza, respondeu:

: Caro Pêndulo, é verdade que você já fez muito trabalho na vida. Mas me diga: você poderia me dar só umas seis batidinhas agora, para eu entender melhor?

O pêndulo concordou e fez: tique-taque, tique-taque, tique-taque, no seu ritmo de sempre.

: E então?: perguntou o mostrador.: Isso foi cansativo?

: Nem um pouco!: admitiu o pêndulo.: Não me canso de seis batidas, nem de sessenta. O que me assusta são os milhões!

: Ah, mas aí está o segredo: disse o mostrador com carinho.: Embora você possa imaginar um milhão de batidas de uma só vez, você só precisa fazer uma de cada vez. E, por mais que você tenha de balançar no futuro, sempre haverá um momentinho para cada balanço. Não precisa carregar tudo de uma vez.

O pêndulo pensou um pouquinho e sentiu-se muito mais leve. Aquilo fazia todo o sentido!

: Então vamos todos voltar ao trabalho: animou-se o mostrador :, senão as pessoas da casa vão dormir demais!

Os pesos usaram toda a sua força para incentivar o amigo, as rodas voltaram a girar, os ponteiros retomaram seu caminho e o pêndulo balançou outra vez, contente. Nesse instante, um raiozinho de sol entrou pela janela e iluminou o mostrador, que brilhou como se nada tivesse acontecido.

Quando o fazendeiro desceu para o café da manhã e olhou para o relógio, ficou até surpreso:

: Ora, que engraçado! Meu relógio está funcionando tão bem quanto sempre.

E o pêndulo, lá dentro, sorria feliz: pois havia descoberto que qualquer tarefa, por maior que pareça, se faz um passinho de cada vez.

Moral da História

Nenhuma tarefa é grande demais quando fazemos uma coisa de cada vez. Não devemos nos assustar com tudo o que há pela frente, mas cuidar do momento presente com alegria.