O Pacote de Ragamuffins

Num galinheiro grande e enfeitado viviam um galo todo orgulhoso e a sua esposa, a galinha. Quando o verão foi embora e o outono chegou, os dois resolveram fazer um passeio.
: Vamos até o Morro das Nozes fazer um lanche gostoso!: cantou o galo, esticando o pescoço.: É a época em que as nozes ficam maduras. Se demorarmos, os esquilos comem tudo antes de nós!
: Que ótima ideia!: respondeu a galinha, batendo as asas de alegria.
O dia estava quentinho e ensolarado, e os dois passaram horas catando nozes no morro. Ficaram tão distraídos com a brincadeira que nem viram o sol começar a se esconder.
Espertinho, o galo montou uma carrocinha usando cascas de nozes. Quando ficou pronta, a galinha subiu e disse:
: Vamos para casa depressa, antes que anoiteça de vez!
Nisso, um pato apareceu descendo o morro, todo apressado:
: Ei! Essas nozes são do bosque, não são só de vocês!: grasnou ele, meio bravo.
O galo, muito calmo, explicou que havia nozes de sobra para todos. E, para fazer as pazes, o pato acabou se oferecendo para ajudar a puxar a carrocinha até a estrada. Que trio animado!
Um pouco adiante, encontraram dois viajantes miudinhos: um alfinete e uma agulha, molhados da chuva.
: Podemos pegar uma carona? A estrada está cheia de lama e nossas perninhas são bem pequenas: pediram eles.
O galo, de bom coração, deixou. Afinal, eram tão pequeninos que cabiam num cantinho da carroça. Só pediu que tomassem cuidado para não cutucar ninguém sem querer.
A noite caiu e todos precisavam de um lugar para dormir. Logo chegaram a uma hospedaria. O dono, um senhor cansado, apareceu na porta com uma lamparina:
: Já é tarde, não recebo mais hóspedes hoje...
Mas o galo prometeu deixar de presente os ovos fresquinhos da manhã seguinte. O dono achou justo e abriu a porta. Todos jantaram bem e dormiram tranquilos.
De manhã bem cedinho, com pressa de continuar a viagem, o galo e a galinha se atrapalharam todos na saída. Sem querer, deixaram a agulha esquecida na toalha e o alfinete na cadeira, e saíram voando pela estrada. O pato mergulhou num riachinho e nadou feliz.
Quando o dono acordou e foi se enxugar,: ai!: a agulha espetou de leve o seu rosto. E, ao se sentar na cadeira,: ui!: deu um pulo por causa do alfinete. Coçando a cabeça, ele riu do próprio susto e disse a si mesmo:
: Da próxima vez, vou combinar tudo com calma e cuidado antes de abrir a porta a viajantes tão apressados!
E foi tomar o seu café da manhã, achando graça daquela turminha atrapalhada que havia passado a noite ali.
Moral da História
Quando somos hóspedes na casa de alguém, é importante agradecer, ter cuidado e deixar tudo em ordem, para que a gentileza sempre volte em forma de amizade.