O Olmo Encantado

Era uma vez um jovem príncipe que adorava cavalgar pela floresta com seus amigos. Certo dia, o cavalo do príncipe se assustou com um barulho e disparou tão depressa que, quando o príncipe percebeu, estava sozinho numa parte bem distante e silenciosa da mata.
De repente, ouviu-se um rosnado atrás do cavalo. Era um lobo cinzento, que apareceu no meio das árvores mostrando os dentes. O cavalo quase saiu em disparada de tanto susto, mas o príncipe, para se proteger, ergueu o chicote e espantou o lobo para longe.
: Como você ousa assustar o meu bichinho de estimação?: gritou uma voz. Era uma velha bruxa, que se aproximava com o cenho franzido.: Você vai se lembrar deste dia!
Sem dar muita atenção, o príncipe procurou o caminho de volta. Mas, por mais que andasse, as trilhas o levavam sempre de volta ao mesmo lugar. E o tempo estava tão quente que ele começou a sentir muita sede.
No meio de um campo verde, avistou uma velha camponesa. O que o príncipe não sabia é que aquela camponesa era a própria bruxa, disfarçada.
: A senhora sabe onde posso encontrar água para beber?: perguntou ele, educado.
: Claro: respondeu ela, com um sorriso escondido.: Há uma fonte logo ali adiante.
O príncipe agradeceu e foi até a fonte. Ajoelhou-se à beirinha e bebeu daquela água fresquinha. Mas a água estava enfeitiçada! No mesmo instante, ele sentiu o corpo formigar de um jeito estranho. Seus braços se esticaram e viraram galhos; seus dedos, ramos; e seus pés criaram raízes que se fincaram fundo na terra.
Num piscar de olhos, o príncipe havia se transformado num grande e belo olmo: uma árvore imponente, de folhas verdes e brilhantes.
Seus amigos procuraram por ele durante dias e dias, mas não o encontraram em lugar nenhum. Com o tempo, um novo príncipe passou a governar o reino, e ninguém imaginava que o antigo estava ali, virado árvore.
Sempre que alguém passava perto, o príncipe-árvore chamava:
: Sou eu, o príncipe! Por favor, me ajudem!
Mas ninguém conseguia ouvi-lo. As pessoas só escutavam o farfalhar das folhas ao vento.
Passou-se um ano. Pombinhas fizeram ninho nos galhos mais altos da árvore, e o príncipe descobriu uma coisa maravilhosa: mesmo não podendo falar com as pessoas, ele conseguia conversar com os pássaros e com as outras árvores. Todos falavam a mesma língua!
Numa noite especial, a noite do meio do verão, as pombinhas contaram:
: Hoje o Rei das Árvores virá visitar a floresta. Ele é alto, forte e muito bondoso. Uma vez por ano, viaja pelo mundo inteiro para cuidar das árvores.
E, à meia-noite, o Rei das Árvores chegou. Sua voz era suave como o vento passando pelas folhas.
: Está tudo bem com vocês, meu povo?: perguntou ele.
: Sim, tudo bem!: responderam as árvores em coro.
Então o príncipe-árvore tomou coragem e chamou:
: Por favor, Majestade, fique só mais um pouquinho! Eu não sou uma árvore de verdade. Sou um príncipe! Uma bruxa me enfeitiçou. O senhor pode me ajudar?
O Rei das Árvores balançou a copa, penalizado.
: Ah, meu pobre amigo, sozinho eu não consigo desfazer esse feitiço. Mas não perca a esperança! Eu viajo pelo mundo todo e vou procurar alguém capaz de ajudá-lo. Volto na próxima noite do meio do verão.
E assim o rei seguiu seu caminho, enquanto o grande olmo balançava os galhos com um pouco de tristeza, mas guardando a esperança no coração.
Na primavera seguinte, uma menina começou a visitar o olmo todos os dias. Ela adorava se sentar à sombra dele, encostadinha no tronco. A menina era muito boa e gentil, mas levava uma vida difícil. Depois que perdera o pai, fora acolhida por uma família de lenhadores, que a fazia trabalhar do amanhecer ao anoitecer.
O príncipe, que ouvia toda a história, sentia um enorme carinho pela menina. E, com o tempo, aquele carinho foi ficando cada vez maior. À sombra do olmo, a menina se sentia em paz como em nenhum outro lugar.
Só que os lenhadores costumavam cortar árvores no verão para juntar lenha. E, certo dia, a menina ouviu um deles dizer:
: Amanhã vamos derrubar aquele grande olmo.
: Ah, não, o olmo não!: implorou a menina, com os olhos cheios de lágrimas.
: Ora, que bobagem: respondeu o lenhador, ríspido.: Amanhã de manhã ele vai abaixo.
Aflita, a menina passou a noite pensando num jeito de salvar seu amigo. E teve uma ideia! Bem cedinho, na manhã do meio do verão, correu para a floresta, subiu no grande olmo e se escondeu bem no alto, entre os galhos.
Pouco depois, chegaram os lenhadores com seus machados. O lenhador-chefe ergueu o machado e disse:
: Eu darei o primeiro golpe!
Nesse instante, uma voz suave desceu do topo da árvore, cantando:
: Guardem o machado, não me façam mal, ou vão se arrepender neste dia especial!
: Tem um espírito na árvore!: gritaram os lenhadores, apavorados, e saíram todos correndo floresta afora.
Só o lenhador-chefe teimou em ficar. Ergueu o machado de novo, mas a voz cantou outra vez, e ele sentiu um arrepio. Tentou uma terceira vez, e a canção voltou. Aí não aguentou mais e fugiu depressa.
A menina ficou escondida na árvore o dia inteirinho. Ao anoitecer, cansada, acabou pegando no sono. Mas, pouco antes da meia-noite, foi acordada por uma voz zangada. Era o lenhador-chefe, que tinha desconfiado da brincadeira.
: Desça daí agora mesmo, ou eu derrubo esta árvore!: gritou ele.
Quando o lenhador levantou o machado, viu duas figuras se aproximando pela floresta: eram o Rei das Árvores e seu grande amigo, o bondoso mago Gorbodoc. O lenhador ficou tão espantado que largou o machado e não conseguiu se mexer.
: Desça, menina: disse o Rei das Árvores, com voz gentil.: Você foi muito corajosa e boa. A partir de agora, só dias felizes a esperam.
A menina desceu e ficou diante do rei e do mago. Mesmo com seu vestidinho simples, seu coração generoso a deixava linda.
Então o mago Gorbodoc tocou o tronco do olmo com sua varinha e disse umas palavras mágicas. Num instante, a grande árvore se transformou de novo no jovem príncipe!
: Bem-vindo de volta, príncipe: sorriu o mago.: A bruxa não vai mais incomodar ninguém. Eu a transformei numa corujinha e a levei para morar bem longe, na terra das lanternas.
O príncipe, cheio de gratidão, agradeceu ao Rei das Árvores e ao mago. Depois, olhou para a menina que o salvara com tanta coragem e carinho. Os dois se tornaram grandes amigos, e o príncipe recuperou seu castelo. Dizem que viveram felizes por muitos e muitos anos, sempre cuidando com amor das árvores da floresta.
Moral da História
A bondade e a coragem são mais fortes do que qualquer feitiço. Quando cuidamos dos outros com carinho, esse carinho sempre volta para nós em forma de amizade e felicidade.