O Homenzinho de Gengibre

Esta é uma história que uma bisavó contou a uma menininha, muitos e muitos anos atrás. Era uma vez um velhinho e uma velhinha que moravam juntos numa casinha na beira da floresta.
Eles eram muito felizes, mas às vezes a casa parecia um pouco silenciosa. Por isso, num dia de sol, a velhinha resolveu assar biscoitos. Ela abriu a massa, cortou-a no formato de um homenzinho, colocou duas passas para os olhos e o levou ao forno.
Um tempinho depois, ela abriu a porta do forno para ver se o biscoito estava pronto. E, para sua surpresa, o homenzinho de gengibre deu um pulo, aterrissou no chão e saiu correndo pela porta!: Corram, corram, o mais rápido que puderem!: gritava ele, rindo.
A velhinha chamou o velhinho, e os dois correram atrás do homenzinho de gengibre. Mas ele era ligeiro e escapou, cantando:: Eu corri da vovó e do vovô, e de vocês também vou correr. Sim, eu posso!
Ele passou por um celeiro cheio de trabalhadores e gritou:: Fugi da vovó e do vovô, e de vocês também vou fugir! Os trabalhadores correram atrás dele, mas o homenzinho era rápido como o vento e ninguém conseguia alcançá-lo.
Correu por um campo onde alguns homens cortavam o feno.: Fugi da vovó, do vovô e do celeiro inteiro, e de vocês também vou fugir! E lá se foi ele, deixando todos para trás, sem fôlego e rindo da brincadeira.
Ele passou por uma vaca e por um porco, e para cada um cantava a mesma cantiga alegre:: Sim, eu posso! Ninguém me pega! Logo havia toda uma fila de amigos correndo atrás dele, e o homenzinho de gengibre estava se divertindo muito.
Até que ele chegou à beira de um rio largo e parou.: Ah, não!: pensou ele.: Não sei nadar. Como vou atravessar? Foi então que uma raposa de olhos espertos apareceu na margem.
: Posso te ajudar: disse a raposa, com um sorriso gentil.: Suba nas minhas costas que eu te levo até o outro lado, sequinho. O homenzinho de gengibre olhou desconfiado, pois já tinha ouvido dizer que raposas eram muito espertas.
: Prometo que vou te levar com todo o cuidado: disse a raposa. E, para sua surpresa, ela cumpriu a promessa: atravessou o rio devagarinho e deixou o homenzinho de gengibre são e salvo na outra margem.: Obrigado!: disse ele, aliviado.: Achei que você fosse me pregar uma peça.
: Nem todo mundo que corre atrás de você quer te fazer mal: riu a raposa.: Alguns só querem ser seus amigos. Nesse momento, chegaram, ofegantes, a vovó, o vovô e todos os outros. Mas ninguém estava zangado: todos riam da corrida divertida.
O homenzinho de gengibre percebeu que fugir de todo mundo era muito solitário, e que era bem mais gostoso ter amigos. Então voltou com a vovó e o vovô para a casinha na beira da floresta.
A partir daquele dia, ele nunca mais precisou correr sozinho. Vovó, vovô e a raposa viravam sempre para uma xícara de chá e boas risadas. E, assim, a casinha silenciosa se encheu de alegria.
Moral da História
Fugir de todo mundo deixa a gente sozinho. É muito mais feliz quem abre o coração e faz novos amigos.