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o guardador de porcos

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um príncipe gentil de um reino pequeno, mas muito bonito. Ele conheceu de longe a filha do imperador e achou-a encantadora. Então, resolveu enviar a ela dois presentes cheios de significado.

O primeiro era a rosa mais linda de todo o reino. Seu perfume era tão suave que, ao cheirá-la, qualquer pessoa esquecia as preocupações e ficava com o coração leve. O segundo era um rouxinol, um passarinho que cantava tão bem que parecia guardar todas as melodias do mundo em sua vozinha.

Mas, quando os presentes chegaram, a princesa torceu o nariz.

: Que coisa mais sem graça!: reclamou ela.: Uma rosa de verdade? Um pássaro de verdade? Eu esperava joias e brinquedos brilhantes!

Seu pai, o imperador, e todas as damas da corte adoraram os presentes. "Que perfume delicioso!", diziam. "Que canto maravilhoso!" Mas a princesa não quis nem saber, e mandou os presentes de volta.

O príncipe ficou pensativo. "Será que a princesa não sabe reconhecer as coisas realmente bonitas da vida?", perguntou-se ele. Mas, em vez de desistir, teve uma ideia curiosa.

Ele vestiu roupas simples e um bonezinho, foi até o castelo do imperador e pediu um trabalho. Deram-lhe a tarefa de cuidar dos porquinhos, e ele passou a ser o guardador de porcos do palácio.

Nas horas vagas, o guardador de porcos, que era muito habilidoso, inventou uma panelinha mágica. Quando ela fervia, tocava uma musiquinha alegre, e, se você chegasse o dedinho pertinho do vapor, sentia o cheiro de tudo o que estava sendo cozinhado em cada casa da cidade. Que invenção divertida!

Um dia, a princesa passou por ali e ouviu a melodia alegre da panelinha. Encantada, mandou uma dama da corte perguntar quanto custava aquela maravilha.

: Não quero moedas: respondeu o guardador de porcos, esperto.: Só peço que a princesa venha aprender a fazer uma panelinha dessas comigo.

A princesa achou estranho, mas estava tão curiosa que foi até lá. E, ao aprender a mexer na panela e sentir os cheirinhos da cidade, ela riu como há muito tempo não ria.

Pouco depois, o guardador de porcos inventou um chocalho ainda mais mágico: quando girava, tocava todas as músicas mais bonitas já feitas no mundo. A princesa, é claro, também quis muito aquele brinquedo.

: Deste eu só ensino a fazer: disse o guardador de porcos: se você me contar qual foi a coisa mais bonita que você já viu na vida.

A princesa parou para pensar. Pela primeira vez, lembrou-se da rosa perfumada e do rouxinol que cantava, e um arrependimento gostoso encheu seu coração.

Nesse momento, o imperador apareceu para ver de onde vinha tanta música e risada. Ao encontrar a filha ali, brincando com o guardador de porcos, ele franziu a testa, sem entender nada, e a princesa ficou muito sem graça.

Foi então que o guardador de porcos tirou o boné e as roupas simples e mostrou quem realmente era: o próprio príncipe gentil que havia mandado a rosa e o rouxinol!

A princesa arregalou os olhos, surpresa e envergonhada.

: Ah, príncipe... me perdoe: disse ela, baixinho.: Eu fui tola ao desprezar seus presentes de verdade. Agora entendo que uma rosa perfumada e o canto de um passarinho valem muito mais do que qualquer brinquedo brilhante.

O príncipe sorriu com carinho.

: Fico feliz que você tenha descoberto isso: respondeu ele.: As coisas mais bonitas da vida nem sempre brilham: às vezes elas cheiram a flores ou cantam ao amanhecer.

A princesa, agora com o coração mudado, pediu para ver de novo a rosa e o rouxinol, e desta vez cuidou deles com todo o carinho. Ela e o príncipe tornaram-se grandes amigos, e a princesa aprendeu, para sempre, a valorizar as belezas simples e verdadeiras do mundo.

Moral da História

As coisas mais bonitas da vida nem sempre são as mais brilhantes. Uma flor, um canto de passarinho ou um gesto de carinho valem mais do que qualquer tesouro.