O gnomo

Era uma vez um rei bondoso que tinha três filhas encantadoras e um jardim maravilhoso, onde ele passeava todos os dias. No meio do jardim havia uma árvore muito especial, que o rei pedia a todos que não mexessem, pois ela guardava um segredo mágico.
Um dia, curiosas, as três princesas foram passear perto da tal árvore.
: Nosso pai nos ama tanto que nada de ruim pode acontecer: disse a mais novinha, e colheu uma maçã.: Venham, irmãs, provem também. É a maçã mais docinha do mundo!
As três deram uma mordidinha e, num passe de mágica, foram levadas suavemente para um belo castelo escondido bem no fundo da terra, onde ficaram esperando alguém corajoso e de bom coração para trazê-las de volta.
O rei ficou muito preocupado e anunciou por todo o reino:
: Quem trouxer minhas filhas de volta em segurança poderá se casar com uma delas!
Muitos rapazes partiram em busca das princesas. Entre eles, estavam três irmãos. Depois de caminharem por dias, chegaram a um grande castelo cheio de salas. Numa delas, havia uma mesa posta com um banquete quentinho, mas ninguém por perto.
: Que lugar aconchegante!: disseram.: Vamos combinar assim: um de nós fica aqui de guarda enquanto os outros dois procuram as princesas.
O irmão mais velho ficou. Naquela tarde, apareceu um homenzinho pequenino, de barba comprida, pedindo um pedaço de pão. O irmão deu, mas o gnomo, para testá-lo, deixou o pão cair e pediu:
: Você poderia pegar para mim, por favor?
Quando o irmão mais velho se abaixou, o gnomo, travesso, deu-lhe um cutucão de leve e saiu correndo, rindo. Sem graça, o irmão mais velho nem contou o que tinha acontecido.
No dia seguinte, a mesma coisa aconteceu com o irmão do meio. Só no terceiro dia é que ficou de guarda o irmão mais novo, que era o mais gentil e valente de todos.
Quando o gnomo apareceu e pediu para pegar o pão do chão, o mais novo respondeu com bom humor:
: Ora, meu amigo, você não consegue pegar sozinho? Deixa que eu te ajudo: e apanhou o pão com um sorriso, oferecendo de volta.
O gnomo ficou tão contente com a gentileza e a firmeza do rapaz que resolveu ajudá-lo de verdade.
: Você tem coragem e bom coração! Vou te contar um segredo: as filhas do rei estão lá no fundo daquele poço. Mas te aconselho a resgatá-las por conta própria, com cuidado, pois seus irmãos são um pouco preguiçosos e podem não te ajudar até o fim.
Dito isso, o gnomo desapareceu com um pisca de olhos.
Na manhã seguinte, os três irmãos foram até o poço com uma grande cesta amarrada a uma corda. Combinaram que, quem descesse, gritaria para ser puxado de volta. O mais velho desceu, mas logo se assustou com o escuro e pediu para voltar. O do meio fez o mesmo.
Só o irmão mais novo teve coragem de descer até o fundo. Lá embaixo, encontrou o castelo mágico, guardado por dois grandes dragões: que, na verdade, só pareciam bravos porque estavam entediados e sozinhos. O rapaz, em vez de brigar, conversou com eles com gentileza, ofereceu-lhes um pedaço de pão e contou piadas. Os dragões, encantados, riram e o deixaram passar, virando seus amigos.
As três princesas ficaram muito felizes ao serem encontradas. Uma lhe deu um abraço, a outra um colar de ouro, e a terceira palavras cheias de gratidão. Uma por uma, o rapaz as ajudou a subir na cesta, e seus irmãos, lá em cima, puxaram-nas.
Quando chegou a sua vez de subir, o mais novo lembrou-se do aviso do gnomo. Por precaução, colocou uma pedra pesada na cesta antes de entrar. Ainda bem que fez isso! No meio do caminho, os irmãos, com pressa e um pouco de inveja, soltaram a corda, achando que iam levar toda a glória sozinhos.
Sozinho no fundo do poço, o rapaz não perdeu a esperança. Foi então que notou um pequeno apito na parede. Ao soprá-lo, apareceram centenas de gnomos sorridentes.
: O que podemos fazer por você, amigo?: perguntaram.
: Eu gostaria muito de rever a luz do dia: pediu ele, gentil.
Num instante, os gnomos o ergueram com cuidado e o levaram de volta à superfície. O rapaz correu para o castelo do rei. Quando os irmãos o viram vivo e bem, ficaram vermelhos de vergonha pelo que tinham feito.
As princesas contaram ao rei toda a verdade: como o irmão mais novo havia sido o corajoso e bondoso herói de toda a aventura. Os irmãos mais velhos, arrependidos, pediram desculpas de coração, e o rapaz, generoso, os perdoou.
: Somos uma família: disse ele.: O que importa é que estamos todos juntos de novo.
O rei, emocionado, deu sua bênção, e o irmão mais novo se casou com a princesa mais nova, por quem tinha se afeiçoado. E, dali em diante, os três irmãos aprenderam a se ajudar de verdade, e todos viveram felizes para sempre.
Moral da História
A coragem e a bondade sempre encontram seu caminho. E, mesmo quando erramos com quem amamos, um pedido sincero de desculpas e um coração generoso podem unir a família de novo.