O Galo E A Raposa

Numa tarde bonita, quando o sol começava a se esconder atrás das colinas, um galo velho e sábio voou até um galho bem alto de uma árvore para dormir em segurança.
Antes de descansar, ele bateu as asas três vezes e soltou um cocoricó bem alto, para se despedir do dia.
Mas, justo quando ia colocar a cabeça embaixo da asa, seus olhinhos redondos perceberam um brilho avermelhado no meio dos arbustos. Era uma raposa de nariz comprido e pontudo, parada logo abaixo da árvore.
: Você já soube da notícia maravilhosa?: gritou a raposa, com a voz mais doce e animada do mundo.
: Que notícia?: perguntou o galo, bem tranquilo. Mas, por dentro, seu coraçãozinho batia depressa, pois ele conhecia bem os truques da esperta raposa.
: Ora, a melhor de todas!: respondeu ela, abrindo um sorriso.: Todos os animais da floresta, a sua família e a minha, resolveram esquecer as brigas e viver em paz e amizade para sempre! Que maravilha, não é? Desça daí, meu querido amigo, para nos abraçarmos e comemorar juntos!
O galo era muito esperto e não caiu na conversa. Mas resolveu brincar um pouquinho. Ficou na ponta das patas e esticou o pescoço, olhando para bem longe, como se enxergasse alguma coisa se aproximando.
: O que você está olhando?: perguntou a raposa, já ficando nervosa.
: Ah, que bom!: disse o galo, fingindo alegria.: Parece que dois cachorros grandes estão vindo correndo para cá. Devem ter escutado a boa notícia e também querem comemorar a paz com você!
Mal terminou de falar, a raposa deu um pulo e saiu correndo o mais rápido que podia.
: Espere!: chamou o galo, rindo por dentro.: Por que essa pressa toda? Agora os cachorros são seus amigos, lembra?
: É verdade!: respondeu a raposa, sem parar de correr.: Mas talvez eles ainda não tenham sabido da novidade... E acabei de lembrar que tenho um compromisso muito importante bem longe daqui!
E, num instante, sumiu no meio do mato.
O galo, então, enfiou a cabecinha nas penas macias e dormiu tranquilo e feliz, muito satisfeito por ter usado a esperteza para se livrar de um enganador tão astuto.
Moral da História
Com inteligência e calma, podemos nos proteger das armadilhas de quem tenta nos enganar com falsas promessas.