O Filho Ingrato

Era uma vez um homem e sua esposa que estavam sentados à porta de casa, prontos para saborear um delicioso frango assado. A mesa estava posta, e um cheirinho gostoso subia no ar.
Nesse momento, o homem avistou, ao longe, seu velho pai chegando pela estradinha, apoiado num cajado.
Em vez de ficar feliz, o filho pensou apenas em si mesmo. "Ah, não! Ele vai querer comer do meu frango", resmungou. E, bem depressa, escondeu o prato debaixo de um pano, para não ter que dividir.
O velho pai chegou, cansado da caminhada. Sentou-se um pouquinho, tomou só um copo d'água que a nora lhe ofereceu e, sem reclamar de nada, despediu-se com carinho e voltou para casa.
Assim que o pai virou a esquina, o filho correu para pegar o frango escondido. Mas, quando levantou o pano, teve uma grande surpresa: o frango tinha se transformado num pato de penas engraçadas!
Num pulo, o pato subiu no ombro do filho e se aninhou pertinho do seu rosto, sem querer sair de jeito nenhum.
: Ei, sai daí!: disse o homem, tentando afastá-lo com a mão. Mas o pato se aconchegava ainda mais, grudadinho, como se tivesse virado parte dele.
O filho tentou de tudo. Chamou a esposa, chamou os vizinhos, chamou os amigos. Todos puxaram o pato com cuidado, mas ele não se soltava nunca. E, todos os dias, o filho tinha que dar comidinha ao pato, senão ele ficava resmungando "quá, quá, quá" bem no seu ouvido.
O tempo foi passando, e o homem andava por toda parte com aquele pato no rosto, sem entender o motivo daquela confusão.
Aos poucos, porém, ele começou a pensar melhor. Lembrou do dia em que escondeu o frango do próprio pai. Lembrou de como fora egoísta com quem tanto o amava. E o coração dele foi ficando apertadinho de arrependimento.
Certa tarde, ele e a esposa estavam de novo à porta de casa, com um frango assado sobre a mesa. E, mais uma vez, o velho pai apareceu na estradinha.
Dessa vez foi diferente. O filho se levantou depressa, correu ao encontro do pai e o abraçou bem apertado.
O velho, surpreso, perguntou com doçura:
: Meu filho, que pato engraçado é esse no seu rosto? Por que ele não sai?
: Ah, papai: respondeu o filho, com os olhos marejados.: Ele não sai porque um dia eu fui egoísta e escondi o meu frango de você. Me perdoe, por favor. Nunca mais quero ser assim.
Ele se ajoelhou diante do pai e confessou toda a sua ganância, pedindo perdão de coração.
: Eu te perdoo, meu filho: disse o velho, acariciando seu cabelo com ternura.
E, naquele exato instante, o pato bateu as asas, deu um "quá" alegre e se transformou de novo num belo frango assado.
Então os três se sentaram juntos à mesa e dividiram a refeição, rindo e conversando.
: Está uma delícia!: disse o velho pai.
: E para mim está ainda mais gostoso: respondeu o filho, sorrindo :, porque partilhar com você é a melhor parte de tudo.
Moral da História
Devemos amar, respeitar e dividir o que temos com nossos pais e com quem amamos; a generosidade e o perdão deixam o coração leve e feliz.