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O espirro do príncipe

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Era uma vez um rei e uma rainha que deram uma festa muito bonita para celebrar o batizado do filho recém-nascido, o pequeno Príncipe Rolandor. O castelo inteiro cheirava a flores, e havia música alegre em cada cantinho.

O destaque da festa era um enorme bolo de morango, coberto de frutas vermelhas e brilhantes. Todos os convidados receberam uma fatia bem grande, e as risadas enchiam o salão.

Mas, sem que ninguém percebesse, o bolo acabou antes de chegar à velha fada Malvolia, que tinha vindo de longe, do Reino das Montanhas Escuras. No prato dela havia apenas uma bombinha de creme de banana.

: Onde está a minha fatia de bolo de morango?: perguntou Malvolia, com a voz tristinha. No fundo, ela não estava com raiva de verdade. Ela só se sentia esquecida e sozinha.

: Ah, sinto muito de coração: disse a rainha, corando.: O bolo acabou, mas mandaremos buscar outro agora mesmo, só para a senhora.

Malvolia, magoada, resmungou baixinho um encantamento misterioso:

: Toda vez que o príncipe espirrar, algo vai mudar por aqui... até que...

Nesse instante, um vento forte soprou pelas janelas abertas e levou embora as últimas palavras da fada. Ninguém conseguiu ouvir o final do feitiço. Malvolia, ainda emburrada, virou-se num corvo e voou para casa.

Foi então que o pequeno príncipe deu seu primeiro espirro. "Atchim!" E, num piscar de olhos, o relógio do salão ganhou vida e começou a andar pela parede, tique-taque, tique-taque, como se estivesse dançando!

O rei e a rainha ficaram assustados. O médico do reino explicou com carinho:

: Cada espirro do príncipe faz uma travessura mágica acontecer no castelo. O melhor é levá-lo para viver no ar puro das montanhas, onde ele quase não vai espirrar, até descobrirmos como desfazer o feitiço.

Com o coração apertado, mas cheios de amor, o rei e a rainha levaram o filho para uma torre acolhedora na Montanha Dourada. Lá, o príncipe cresceu forte e gentil, cuidado por uma enfermeira bondosa e por seu melhor amigo, um poodle esperto e leal chamado Poldo.

Os pais visitavam o príncipe três vezes por semana, e cada abraço era uma festa. Mas, quando ele fez vinte e um anos, o príncipe ficou pensativo.

: Por que estás tão triste, meu amigo?: perguntou Poldo.

: Eu adoraria conhecer o mundo lá fora: suspirou o príncipe.: Mas tenho medo do meu espirro e desse feitiço que ninguém entende.

Poldo balançou o rabo, animado:

: Não perca a esperança! Vou visitar meu velho amigo, o gigante bondoso do Polo Norte. Ele guarda num baú todas as palavras que o vento já carregou por aí. Talvez o final do feitiço esteja lá!

O poodle viajou por muitos dias, atravessou campos e pontes, e bateu à porta do gigante. O gigante, gentil como uma montanha adormecida, abriu seu enorme baú e procurou com paciência. Até que encontrou as palavras perdidas de Malvolia:

: "...até que ele encontre alguém que o ame de coração."

Poldo decorou a frase e correu de volta para o castelo.

: O feitiço vai se quebrar quando o príncipe encontrar alguém que o ame de verdade!: anunciou o poodle, ofegante e feliz.

Pouco tempo depois, chegou ao reino uma princesa muito doce, de sorriso caloroso, que também estava enfeitiçada: seus cabelos dourados tinham ficado azuis e seu narizinho crescera bastante. Muita gente ria dela, mas o príncipe não. Ele olhou para o coração da princesa, e não para a aparência.

Os dois conversaram por horas, riram das mesmas piadas e descobriram que gostavam das mesmas histórias. Sem perceber, começaram a se querer muito bem.

No dia em que decidiram se casar, bem no meio da cerimônia, o príncipe sentiu aquela cosquinha no nariz. Ele tentou segurar, tentou, tentou... mas não deu.

: Atchim!!!

Houve um estrondo alegre, como fogos de artifício, e num instante todos os encantamentos se desfizeram. O relógio voltou a ficar quietinho na parede. Os cabelos da princesa ficaram dourados de novo, e seu narizinho voltou ao normal. E o mais bonito: o feitiço do espirro sumiu para sempre, porque os dois se amavam de coração.

Malvolia, que assistia de longe transformada em corvo, sentiu o coração se aquecer ao ver tanto carinho. Ela voltou a ser fada, pediu desculpas e foi convidada para a festa: desta vez com a maior fatia de bolo de morango de todas.

E assim, o príncipe finalmente conheceu o mundo ao lado de quem amava, e todos viveram muito felizes.

Moral da História

O que faz alguém especial não é a aparência, mas o coração. E até os corações magoados podem se curar com um pedacinho de carinho e uma boa fatia de bolo dividida com amigos.