O coelho, a doninha e o gato

Certa manhã ensolarada, um coelho saiu de casa saltitando para comer um tapete de trevos bem verdinhos. Como estava com pressa e cheio de fome, esqueceu de fechar a portinha da sua toca.
Enquanto o coelho estava fora, uma doninha curiosa passou por ali. Ao ver a porta aberta, entrou devagarinho e, muito à vontade, se acomodou como se a casa fosse dela.
Quando o coelho voltou, cheio de barriga e feliz, teve uma surpresa e tanto: era o narizinho da doninha que aparecia na porta da sua própria toca, farejando o ar puro da manhã!
: Ei! O que você está fazendo dentro da minha casa?: perguntou o coelho, ficando bravo (o mais bravo que um coelho consegue ficar).: Esta toca é minha! Por favor, pode ir embora.
Mas a doninha estava tão confortável que nem se mexeu.
: Ora, eu cheguei e a porta estava aberta: respondeu ela, teimosa.: Agora eu gostei daqui e vou ficar.
Os dois discutiram e discutiram, sem chegar a lugar nenhum. Foi então que um gato velho, de pelo grisalho e voz mansa, passou por ali e ouviu a confusão.
: Ah, meus caros, deixem que eu ajude vocês a resolver essa briga: disse o gato, com um sorriso muito doce.: Cheguem bem pertinho de mim, porque eu já estou velhinho e não escuto quase nada. Aproximem a boca do meu ouvido e me contem tudo.
O coelho já ia dando um passo à frente, mas parou. Alguma coisa naquele sorriso não parecia certa. Ele reparou nas garras escondidas do gato e sussurrou para a doninha:
: Espera! Acho melhor a gente não chegar tão perto desse gato. Ele quer resolver a nossa briga, mas parece que só pensa em si mesmo.
A doninha olhou de novo para o gato, percebeu o truque e concordou. Rapidinho, os dois deram meia-volta e saíram dali em segurança, deixando o gato esperto falando sozinho.
Já longe do perigo, o coelho e a doninha se olharam e respiraram aliviados.
: Sabe de uma coisa?: disse a doninha, um pouco envergonhada.: A casa é sua mesmo. Eu não devia ter entrado sem pedir. Me desculpe.
: Tudo bem: respondeu o coelho, gentil.: E obrigado por me ouvir. Da próxima vez, é só bater na porta que a gente conversa.
E assim os dois resolveram a briga sozinhos, com calma e bom senso, sem precisar de ninguém para decidir por eles.
Moral da História
Quando temos um desacordo, é melhor conversar com calma e resolver as coisas nós mesmos. E devemos desconfiar de quem se oferece para ajudar pensando apenas na própria vantagem.