O Cervo e seu reflexo

Era uma manhã calma na floresta quando um belo cervo parou para beber água numa fonte cristalina. A água estava tão limpa e tão parada que ele conseguia se ver refletido nela, como num espelho de vidro.
: Ah, que chifres magníficos eu tenho!: suspirou o cervo, admirando a coroa de galhos que enfeitava a sua cabeça.: São grandes, elegantes e cheios de pontas. Não existe cervo mais bonito em toda a floresta!
Mas então o cervo olhou para baixo, para as próprias pernas refletidas na água, e o seu sorriso desapareceu.
: Que pernas mais finas e compridas!: resmungou ele, envergonhado.: Elas são feias demais para um cervo tão elegante. Ah, como eu queria que fossem diferentes!
Enquanto o cervo reclamava das suas pernas, um cheiro forte chegou pelo vento. Era o cheiro de uma onça faminta que se aproximava, passo a passo, escondida no meio das folhas.
O coração do cervo disparou. Sem pensar duas vezes, ele girou o corpo e disparou floresta adentro. E foram justamente aquelas pernas finas e compridas, das quais ele tanto se envergonhava, que o levaram voando por entre as árvores, cada vez mais rápido, cada vez mais longe.
Mas, no meio da corrida, os seus chifres grandes e cheios de pontas se enroscaram nos galhos baixos de uma árvore. O cervo puxou de um lado, puxou do outro, e o coração batia forte de aflição.
Com um último e corajoso empurrão, ele conseguiu se soltar bem a tempo e correu para um lugar seguro, deixando a onça para trás. Ofegante, o cervo se escondeu atrás de uma pedra e finalmente respirou aliviado.
Foi então que ele entendeu tudo. As pernas de que ele reclamava tinham salvado a sua vida. E os chifres de que ele tanto se orgulhava quase o deixaram preso.
: Que bobagem eu fiz: pensou o cervo, envergonhado do seu orgulho.: Passei o tempo todo achando feio justamente aquilo que é mais forte e útil em mim.
E, a partir daquele dia, o cervo aprendeu a gostar de cada parte de si mesmo, sem se achar melhor por causa da aparência.
Moral da História
Nem sempre o mais bonito é o mais importante. Devemos valorizar tudo o que temos, porque aquilo que parece simples pode ser justamente o que mais nos ajuda.