O Cavalo, o Caçador e o Cervo

Era uma vez um cavalo que vivia livre e feliz num campo verdejante, correndo pra lá e pra cá sempre que tinha vontade.
Um dia, um cervo apareceu por ali e, sem querer, acabou pisoteando o pasto mais gostoso do cavalo. Os dois discutiram, e o cavalo ficou muito, muito zangado.
: Ah, esse cervo vai ver só!: bufou o cavalo.: Preciso de alguém que me ajude a dar o troco nele!
Foi então que ele procurou um caçador e pediu ajuda para perseguir o cervo.
O caçador coçou o queixo e disse:
: Posso ajudar, sim. Mas, para isso, você vai ter que deixar eu colocar este ferrinho na sua boca, para guiá-lo com as rédeas, e esta sela nas suas costas, para eu montar em você enquanto corremos atrás dele.
O cavalo estava tão tomado pela raiva que nem pensou direito.
: Tudo bem, tudo bem! Ponha logo isso e vamos!: respondeu, impaciente.
Assim, o caçador colocou a sela e as rédeas no cavalo e subiu nas suas costas. Juntos, saíram galopando atrás do cervo, que, assustado, correu para bem longe e nunca mais voltou para incomodar o pasto.
: Prontinho!: disse o cavalo, ofegante.: O cervo já foi embora. Agora pode tirar esse ferro da minha boca e essa sela das minhas costas, que eu quero voltar a correr livre pelo campo.
Mas o caçador sorriu e balançou a cabeça:
: Ah, meu amigo, agora que descobri como é bom ter um cavalo, acho que vou querer manter você comigo mais um tempo.
O cavalo baixou as orelhas, tristonho. Só então percebeu que, por causa de um pouquinho de raiva e do desejo de dar o troco, tinha acabado perdendo aquilo que mais amava: a sua liberdade.
Com o tempo, porém, o cavalo foi refletindo. Aprendeu que guardar raiva e querer se vingar nunca traz nada de bom: só complica a vida da gente. Passou a tratar o caçador com calma e paciência, e o caçador, vendo como o cavalo era bom e gentil, foi ganhando afeto por ele. Aos poucos, cuidava dele com carinho, dava-lhe boa comida e passeios tranquilos.
E o cavalo prometeu a si mesmo que, dali em diante, quando alguém o aborrecesse, ele respiraria fundo e escolheria a paz, em vez da vingança. Afinal, uma cabeça tranquila vale muito mais do que qualquer troco.
Moral da História
Deixar a raiva mandar em nós e querer nos vingar pode custar muito caro. É sempre mais sábio respirar fundo e escolher a paz.