O Casaco Vermelho da Mamãe

Eu amo o casaco da mamãe! Ele é vermelho, comprido e quentinho. E, o melhor de tudo, cheira igualzinho a ela!
Eu adoro fazer um monte de coisas com a mamãe. A gente faz piquenique no quintal, planta florzinhas na horta e brinca até cansar. Quando eu chego da escola, ela me dá o abraço mais apertado do mundo. E, à noite, ela me embala nos braços até eu pegar no sono.
Um dia, a mamãe chegou com uma novidade.
: Tenho uma notícia!: disse ela, sorrindo.: Consegui um emprego novo! Vou precisar ficar fora durante a semana, mas volto todo fim de semana pra ficar com você.
Meu coração ficou apertadinho.
: Mas, mamãe… quem vai me abraçar à noite? Quem vai fazer piquenique comigo, plantar comigo, brincar comigo?: perguntei, com os olhos marejados.
A mamãe me abraçou bem forte e disse baixinho:
: Eu sei que você está triste, meu amor. Por isso, vou deixar meu casaco vermelho com você. Sempre que bater a saudade, é só olhar pra ele e lembrar que eu te amo muito… e que logo, logo, eu volto pra casa.
No dia seguinte, levei o casaco vermelho lá pra fora. Ele virou minha toalha de piquenique! Sentei em cima dele e era como se a mamãe estivesse ali, do meu lado. Opa! Derramei suquinho sem querer!
Quando cheguei da escola e a mamãe não estava na porta, fiquei um pouquinho triste. Então vesti o casaco dela. Era quentinho e cheirava a ela. Parecia um abração! Opa! Manchei de tinta!
Fui ajudar a vovó na horta. Pendurei o casaco comprido num galho, e ele ficou balançando ao vento, espantando as galinhas! Era como se a mamãe estivesse ali com a gente, cuidando das plantinhas. Opa! Sujei de lama!
Mas era à noite que eu mais sentia falta da mamãe. Aí a vovó me cobria com o casaco quentinho, e eu fechava os olhos sentindo o cheirinho dela. Parecia que era a própria mamãe me embalando até dormir. Opa! Caíram migalhas de biscoito!
O casaco continuava quentinho e cheio de amor… mas agora cheirava a suco, tinta, lama e biscoito, tudo junto! Opa! Precisava de um banho: quer dizer, de uma boa lavada!
A vovó lavou o casaco e pendurou no varal pra secar. De repente, o vento soprou bem forte e… uuuuh! Levou o casaco embora! Ele voou pelos ares! Passou por cima da cerca! Passou por cima do ônibus!
: Volta, casaco!: gritei, correndo atrás dele.
Corri, corri e… peguei! Agarrei o casaco bem apertado.
: Achei você, casaco!: falei, aliviada.
E, quando abracei o casaco, ele cheirava de novo como a mamãe. Mas então senti um abraço de verdade, forte e quentinho, e ouvi a voz mais linda do mundo:
: Achei você, meu amor!
Levantei os olhos e… era a mamãe! Era fim de semana, e ela tinha voltado pra casa!
: Mamãe! Você voltou!: gritei, pulando no colo dela.
E ali, bem juntinhas, matamos toda a saudade com o maior abraço de todos.
Moral da História
Mesmo quando quem a gente ama precisa ficar longe por um tempinho, o amor continua pertinho de nós: e as saudades sempre acabam em reencontro e abraço.