O Carvalho E Os Juncos

À beira de um riacho tranquilo, crescia um carvalho enorme e antigo. Bem ao seu lado, na margem, viviam alguns juncos finos e delicados, sempre balançando com a brisa.
Quando o vento soprava, o grande carvalho ficava firme e orgulhoso, com seus cem galhos erguidos bem alto, em direção ao céu. Já os juncos se curvavam para lá e para cá, cantando baixinho uma canção suave.
Um dia, o carvalho olhou para os juncos de cima e disse, cheio de orgulho:
: Coitados de vocês! Até a brisinha mais leve, que só faz um cafuné na água, já deixa vocês de cabeça baixa. Eu, não! Eu sou o poderoso carvalho e fico sempre em pé, forte e firme, mesmo quando a tempestade ruge.
Os juncos, gentis, responderam com calma:
: Não se preocupe com a gente, amigo carvalho. Os ventos não nos machucam. Sabe por quê? Porque a gente se curva quando eles passam, e assim nunca quebra. Você é muito forte, é verdade, e por isso resiste bem. Mas cuidado, pois um vento bem grande pode ser demais até para o mais forte.
O carvalho apenas balançou os galhos, sem dar muita atenção ao conselho.
Foi então que, do lado norte, veio chegando um vento fortíssimo, uma verdadeira tempestade. O carvalho, orgulhoso, resolveu não ceder nem um pouquinho: fincou bem as raízes e enfrentou o vento de peito aberto.
Os juncos, por sua vez, fizeram como sempre faziam: curvaram-se com jeitinho, deixando o vento passar por cima deles.
O vento soprou cada vez mais forte. E o grande carvalho, que não quis dobrar-se nem um pouquinho, acabou sendo empurrado com tudo, até que suas raízes se soltaram da terra e ele tombou devagar… bem em cima dos juncos macios, que amorteceram sua queda como um colchão fofo.
: Ai, ai…: suspirou o carvalho, agora deitado.: Vocês tinham toda razão. Fui orgulhoso demais e não quis ceder nem um pouquinho.
Os juncos, sem nenhum rancor, o acolheram com carinho.
: Não fique triste, amigo: disseram eles.: Você nos deu sombra por tantos anos! Agora vamos cuidar de você. E olha só: das suas sementes, vão nascer muitos carvalhinhos novos por aqui. Só que estes já vão aprender, desde pequenos, a se curvar um pouquinho quando o vento apertar.
E foi assim que, na primavera seguinte, brotaram vários carvalhinhos ao lado do riacho, crescendo fortes, mas sabendo também ser flexíveis: enquanto os juncos continuavam a cantar sua canção suave ao vento.
Moral da História
Às vezes, saber ceder um pouquinho é mais sábio do que insistir em ser sempre o mais forte. Quem aprende a se curvar com jeito enfrenta melhor as tempestades da vida.