O Cachorro Maravilhoso e o Gato Milagroso

Era uma vez, no País das Fadas, um velho mago muito bondoso que dava aulas numa escola de magia. Ele era gentil e sábio, e adorava ensinar feitiços bonitos, daqueles que ajudavam as pessoas.
Só que o diretor da escola, o Mago Zidoc, era bem diferente. Zidoc se achava o feiticeiro mais poderoso de todo o País das Fadas e vivia de nariz empinado.
Um dia, Zidoc começou a preparar um feitiço perigoso, capaz de derrubar castelos num piscar de olhos. O velho mago, preocupado, tentou impedi-lo:
: Zidoc, meu amigo, essa magia pode machucar muita gente! Melhor não usá-la.
Mas Zidoc ficou furioso.
: Ninguém me diz o que fazer!: bufou ele.: Está proibido de entrar na minha escola!
E assim o velho mago teve que ir embora. Triste, mas tranquilo, foi procurar um cantinho para morar no campo. Encontrou uma casinha aconchegante que pertencia à Fada Jocapa, que estava viajando para visitar um primo do outro lado do mundo.
: Vou cuidar bem dela até a fada voltar: disse o mago, arrumando suas coisas.
Numa de suas caminhadas, o velho mago encontrou um fazendeiro que estava muito aflito, ao lado de um cachorro branco e de um gato preto.
: O que houve?: perguntou o mago.
: Ah, senhor...: suspirou o fazendeiro.: Eu amo estes dois, mas não tenho mais como alimentá-los direito. Não sei o que fazer.
O coração do mago se encheu de ternura.
: Não se preocupe. Eu cuido deles com todo o carinho: disse ele. E deu ao fazendeiro uma boa quantia em moedas para ajudá-lo.
Em casa, o mago tratou o cachorro e o gato como se fossem seus filhos. E, por ser um mago, pôde ensinar a eles coisas maravilhosas: todas as línguas do mundo, história, matemática, dança e até um pouquinho de magia. Os dois bichinhos eram tão espertos que aprendiam tudo num instante e logo se tornaram os animais mais educados e sábios do País das Fadas.
Um belo dia, quando já sabiam quase tudo, o cachorro e o gato pediram, cheios de gratidão:
: Querido mestre, será que podemos viajar para conhecer o mundo?
O mago ficou com o coração apertado de saudade antecipada, mas sorriu.
: Se vocês precisam ir, então vão, meus queridos. E aproveitem para me fazer um favor: levem este dinheiro do aluguel para a Fada Jocapa. Ela está na Terra dos Rios Correntes, na casa do primo, que é o rei de lá.
Os dois se despediram com muitos abraços e partiram animados. A viagem foi um sucesso! Por onde passavam, encantavam a todos com sua sabedoria e seus discursos. Faculdades e universidades faziam questão de recebê-los, e eles ganharam muitas homenagens.
Finalmente, chegaram ao castelo do Rei da Terra dos Rios Correntes. Uma senhora gentil os conduziu por corredores e salões até uma grande sala. Lá estava a Fada Jocapa, sentada perto da lareira, e o rei, lendo um livro à luz de muitas velas.
O cachorro e o gato quase esqueceram as boas maneiras, de tão surpresos: o rosto e as mãos do rei eram de um verde brilhante, igualzinho ao de um papagaio!
: Sejam bem-vindos: disse o rei, com um sorriso triste.: Vocês são tão sábios... talvez possam me ajudar. Estou enfeitiçado, e por isso vivo escondido aqui.
: Como isso aconteceu, majestade?: perguntou o gato, com cuidado.
: Há alguns meses: contou o rei :, eu passeava de carruagem por uma estradinha estreita à beira do rio. Do outro lado vinha um velho de chapéu de mago, que mandou que eu desviasse. Mas eu já estava pertinho da beirada e não tinha como. Ele se irritou, disse que era o Mago Zidoc e, num átimo, deixou o meu rosto todo verde! Desde então, todos que me veem levam um susto.
O cachorro e o gato se entreolharam.
: O Mago Zidoc é justamente o velho rival do nosso querido mestre!: disse o cachorro.
: Eu já tentei desfazer o feitiço com toda a minha magia, mas não consegui: lamentou a Fada Jocapa.
: Não vamos desanimar: disse o gato, com firmeza.: Zidoc mora perto do nosso lar. Vamos até lá e daremos um jeito de ajudar o rei!
E assim os dois amigos voltaram e foram até o castelo de Zidoc. O cachorro se disfarçou de cãozinho de rua, e o gato, de gato vira-lata. Mas Zidoc era mesmo muito astuto e logo desconfiou do plano dos dois. Fingindo não perceber nada, resolveu esperar.
O cachorrinho conseguiu entrar sorrateiro e se esconder embaixo do sofá. Dali, ouviu que, no dia seguinte, Zidoc receberia a visita de outro feiticeiro trapaceiro, o Mago Serponel.
: Precisamos nos esconder na sala da conversa: cochichou o cachorro para o gato.: Talvez descubramos como quebrar o feitiço do rei!
No dia seguinte, o cãozinho voltou para o seu esconderijo. Mas Zidoc já sabia de tudo e havia combinado com Serponel de dar um susto nos bisbilhoteiros. Os dois feiticeiros entraram na sala.
: Colega: disse Zidoc, sorrindo de canto :, algo me diz que temos um espião embaixo do sofá!
O cachorrinho gelou. Zidoc puxou o sofá de repente, mas o cão foi rapidinho e escapou de um pulo. Nesse instante, o gato entrou voando pela janela, veloz como uma flecha! Subiu nas costas de Zidoc e se agarrou firme. O feiticeiro se assustou tanto que largou a varinha, atrapalhado, enquanto o cachorro puxava a barra da capa de Serponel para confundi-lo.
No meio da bagunça, Zidoc lançou um feitiço que encheu a sala de escuridão. E então fez uma travessura mágica: transformou a si mesmo e a Serponel em cópias exatas de um gato e de um cachorro! Ele pensou: "Assim, os dois espiões vão se atrapalhar e nem vão saber quem é quem."
Quando a escuridão se dissipou, havia dois cachorros brancos iguaizinhos e dois gatos pretos idênticos, todos correndo pela sala numa confusão só! Era difícil saber qual era o verdadeiro e qual era o feiticeiro disfarçado.
Justo nesse momento, a porta se abriu. Era o velho mago bondoso! Preocupado com a demora dos seus amiguinhos, ele tinha saído à procura deles.
: Meus queridos!: chamou ele, com voz firme e carinhosa ao mesmo tempo.: Parem já com essa correria!
Ao ouvir a voz do mestre, o verdadeiro cachorro e o verdadeiro gato pararem na mesma hora e correram para junto dele. Mas os dois disfarçados, sem querer, continuaram se perseguindo, e assim se entregaram: eram Zidoc e Serponel!
O velho mago balançou a cabeça e sorriu.
: Chega de maldades, Zidoc.
E então, com toda a sua sabedoria, o mago pronunciou um feitiço poderoso: mas cheio de bondade. Num clarão de luz dourada, ele desfez toda a magia ruim de Zidoc. Os dois feiticeiros trapaceiros sentiram seus poderes se apagarem como velinhas ao vento. Sem a sua magia, e muito envergonhados, Zidoc e Serponel saíram correndo castelo afora e nunca mais voltaram a incomodar ninguém.
No mesmo instante, longe dali, o feitiço do rei se quebrou! Seu rosto voltou a ter a cor de sempre, e ele soltou um grito de alegria.
O rei em pessoa recebeu o velho mago, o cachorro e o gato no portão do castelo, com um abraço enorme.
: Vocês me devolveram a minha vida! Muito obrigado, meus amigos!
Houve uma grande festa, com música, danças e muita comida gostosa. Depois, o velho mago voltou para a sua casinha no campo, ao lado do cachorro branco e do gato preto. E os três viveram juntos, felizes, cheios de carinho e de novas histórias para contar.
Moral da História
A bondade e a coragem, quando andam de mãos dadas, vencem qualquer maldade. Quem ajuda os outros com um coração generoso sempre encontra amigos verdadeiros e finais felizes.