O burro carregando a imagem

Certo dia, numa cidade antiga, uma bela imagem sagrada estava sendo levada para o templo. Ela foi colocada com todo o cuidado sobre o lombo de um burrinho, enfeitado com guirlandas de flores e lindos ornamentos coloridos.
Atrás do burro seguia uma grande procissão. Havia músicos tocando, pajens carregando estandartes e muita gente acompanhando pelas ruas, vestida com suas melhores roupas.
Enquanto o burro caminhava devagar, as pessoas se curvavam com respeito à sua passagem. Algumas até se ajoelhavam, tocadas pela beleza da imagem que ele transportava.
Mas o burrinho, coitado, entendeu tudo errado. Ele achou que todas aquelas reverências eram para ele!
: Ora, ora: pensou, estufando o peito.: Como sou importante! Veja só quanta gente se curva quando eu passo. Devo ser o burro mais admirado de toda a região!
Com a cabecinha cheia daquela ideia boba, ficou tão orgulhoso e vaidoso que parou bem no meio da rua e começou a zurrar bem alto, todo cheio de si.
: Iá! Iá! Iá!: cantava, achando que precisava agradecer aos seus admiradores.
O tratador que o conduzia logo percebeu a confusão que se passava na cabeça do animal. Sorrindo, deu uma puxadinha firme na corda para que o burro voltasse a andar.
: Vamos, meu bobinho: disse ele com bom humor.: Ande logo! Toda essa honra não é para você, e sim para a imagem preciosa que você tem a sorte de carregar.
O burrinho baixou as orelhas, meio sem graça, e seguiu seu caminho mais quietinho. Aos poucos, foi entendendo que ser útil e prestativo já era motivo de orgulho suficiente: e que não havia por que se achar melhor do que os outros.
Moral da História
Não devemos nos encher de vaidade pelas coisas boas que apenas carregamos ou acompanhamos. O verdadeiro valor está em ser prestativo e humilde, e não em querer todos os aplausos para si.