O Bolo de Aveia

Certa manhã, a esposa do fazendeiro fez dois bolinhos de aveia bem dourados. Ela os moldou com carinho, deu tapinhas de leve em cada um e os colocou perto do fogo para assar.
: Vocês vão ser o jantar do meu marido: disse ela, sorrindo, enquanto voltava para a horta.
Então um dos bolinhos cochichou para o outro:
: É fácil ela falar assim! Mas eu não tenho a menor vontade de ser comido. Vou esperar ficar bem durinho e sair rolando por aí para conhecer o mundo!
: Que ideia esquisita, irmão: respondeu o outro bolinho, tranquilo.: Bolinhos de aveia foram feitos para alegrar quem tem fome. Eu tenho orgulho de ser um jantar gostoso.
: Jantar ou não jantar, eu quero é ver o mundo!: repetiu o primeiro, decidido.
Pouco depois, o fazendeiro chegou faminto. Comeu primeiro o bolinho contente, que se deixou saborear feliz. Depois estendeu a mão para o outro. Mas, num pulinho, o bolinho de aveia escapou dos seus dedos e saiu rolando porta afora, estrada abaixo!
Rolou, rolou e rolou, até chegar a uma casinha de telhado de palha.
: Que lugar simpático para eu descansar!: disse ele, e entrou rolando pela porta.
Lá dentro estavam um alfaiate e seus dois ajudantes, sentados de pernas cruzadas, costurando. Quando viram aquele bolinho entrar rolando tão atrevido, levaram um susto e se esconderam atrás da esposa do alfaiate.
: Ora, que vergonha! Ficar com medo de um bolinho de aveia?: riu ela.: Depressa, peguem esse danadinho!
Os três criaram coragem e correram atrás dele. Mas o bolinho era esperto e escorregava por baixo das mesas e das cadeiras. No meio da correria, o mingau que fervia no fogo transbordou, e todos precisaram cuidar da panela. O bolinho, então, aproveitou e escapuliu porta afora, gargalhando de alegria.
: Acho melhor ir um pouquinho mais longe: pensou ele, rolando estrada afora.
Passou por uma casa de tecelão, depois por uma mulher que batia manteiga, por um moinho e por uma ferraria. Em cada lugar, alguém queria pegá-lo, e em cada lugar o bolinho girava, quicava e fugia rindo, sempre rápido demais para ser apanhado.
Mas, aos poucos, o pequeno bolinho de aveia começou a se sentir cansado. Suas voltas ficaram mais devagar, e o mundo já não parecia tão grande e brilhante quanto no começo da aventura.
: Corri o mundo inteiro: suspirou ele: e ainda não achei um lugar só meu para descansar em paz.
Quando a noite chegou, ele rolou, cansadinho, para dentro de uma toca aconchegante. Lá morava uma raposa de olhos gentis, que preparava um chá quentinho.
: Ora, ora: disse a raposa com um sorriso.: Um viajante cansado bem na hora do lanche! Você rolou o dia todo, não foi?
: Rolei: admitiu o bolinho.: Fugi de todo mundo. Mas agora estou tão cansado que nem sei mais por que estava correndo.
A raposa pôs a mesa com muito carinho.
: Sabe de uma coisa?: disse ela.: Um bolinho tão corajoso não foi feito para fugir sozinho pela estrada escura. Foi feito para ser dividido entre amigos, num lugar quentinho, com uma boa conversa.
O bolinho de aveia pensou um pouquinho e sentiu o coração se aquecer. Cansado de tanto fugir, ele finalmente descansou. Naquela noite acolhedora, foi repartido com carinho entre a raposa e seus filhotinhos, que agradeceram muito felizes. E o pequeno bolinho, enfim em paz, percebeu que ser motivo de alegria para os outros era o lugar mais gostoso do mundo para se estar.
Moral da História
Fugir sem parar nos deixa cansados e sozinhos. A verdadeira felicidade está em encontrar nosso lugar e compartilhar o que temos de bom com quem gostamos.