O Abeto

No meio da floresta vivia um pequeno abeto. Ele era uma arvorezinha verde e viçosa, com o sol quentinho brilhando sobre seus galhos e uma brisa suave que o embalava. Mas o abeto vivia com pressa: só pensava em crescer.
Todos os anos, os lenhadores vinham cortar as árvores maiores. "Para onde elas vão? O que acontece com elas?", perguntou o abeto à lebrinha que passava.
: Não sei: respondeu a lebre.: Só sei brincar por aqui.
Foi a cegonha quem trouxe uma pista.
: Quando eu voava de volta de terras distantes, vi grandes navios no mar, com mastros altíssimos feitos de árvores. Eles tocavam o céu e pareciam felizes e majestosos.
: Ah, se eu fosse grande o bastante para viajar pelo mar!: suspirou o abeto.: E o que é o mar, afinal?
Mas a cegonha já tinha voado para longe.
No inverno, uma lebrezinha branca vinha correndo e pulava por cima do abeto. Isso o deixava um pouco emburrado! Mas no terceiro ano ele já estava tão grandinho que a lebre precisava contorná-lo para passar.
: Crescer, ficar maior, mais alto e mais forte... não há nada melhor no mundo!: suspirava a arvorezinha, sem perceber como já era bonita.
Quando chegou o Natal, muitas árvores jovens foram levadas.
: Para onde elas vão?: perguntou o abeto aos pardais.: Não são maiores do que eu!
: Nós vimos, nós vimos!: chilrearam os pardais.: As pessoas levam as árvores para dentro de casa, dão a elas o lugar mais bonito e as enfeitam com luzinhas e enfeites brilhantes. Depois cantam e dançam ao redor delas. É uma alegria só, e a árvore é a estrela da festa!
: E o que acontece depois?: quis saber o abeto, encantado.
: Isso não sabemos: responderam os pardais.: Mas foi lindo!
O abeto sonhava tanto com esse dia que quase não reparava no sol, na brisa e nos amiguinhos da floresta. Um dia, os lenhadores vieram e o levaram para uma casa grande e bonita. Colocaram-no num vaso enfeitado, coberto por um pano verde.
: Aproveite cada dia bonito e ensolarado: sussurraram os raios de sol. Mas o abeto, ansioso, mal os escutou.
Então as moças da casa começaram a enfeitá-lo. Penduraram docinhos, balas e muitas luzinhas. No topo, colocaram uma grande estrela dourada. Estava simplesmente lindo!
Naquela noite, as luzes se acenderam e o abeto brilhou como nunca.
: Ah, se as árvores da floresta pudessem me ver agora, com mil luzinhas!: pensou, radiante.
De repente, a porta se abriu e um bando de crianças entrou correndo, cheias de alegria. Elas dançaram ao redor do abeto e um vovô contou uma história divertida, que a árvore adorou ouvir. Foi uma noite de festa e risadas.
Mas a festa passou depressa, e o abeto nem havia parado para aproveitá-la. Na manhã seguinte, ele foi levado para o sótão e ficou ali, quietinho, num cantinho.
: O que estou fazendo aqui?: pensou o abeto, sozinho no escuro.
Passaram-se dias, e o abeto sentiu saudade. Saudade da floresta, do sol, da brisa e até da lebrezinha branca que pulava por cima dele.
: Como eu não aproveitei aqueles dias tão bons?: suspirou.
Então um ratinho apareceu.
: De onde você veio?: perguntou o rato, curioso.
E o abeto contou toda a sua história: a floresta, o Natal, as luzinhas e as crianças. O ratinho gostou tanto que trouxe a família inteira para ouvir. E, cada vez que falava do seu passado, o abeto percebia como aqueles dias tinham sido felizes.
Quando a primavera chegou, as pessoas limparam o sótão e levaram o abeto para o jardim. Ele sentiu de novo o ar fresco e o sol quentinho em seus galhos.
: Que saudade eu tinha disto!: disse ele.
Foi então que um menino se aproximou, pegou com cuidado a estrela dourada e sorriu. Junto ao abeto, no chão, havia caído uma pequena pinha cheia de sementes.
O jardineiro, um homem de coração bom, olhou para a arvorezinha e teve uma ideia. Pegou as sementinhas da pinha e as plantou ali mesmo, na terra macia do jardim.
: De você, velho abeto, vão nascer muitas arvorezinhas novas: disse ele, com carinho.: E dessa vez elas vão aprender a aproveitar cada dia de sol.
O abeto sorriu por dentro, feliz e em paz. Ele havia entendido, enfim, a lição mais importante de todas.
Na primavera seguinte, pequenos brotinhos verdes despontaram no jardim: filhinhos do velho abeto. E, sob o mesmo sol quentinho, eles cresceram devagar, aproveitando cada brisa, cada raio de luz e cada risada de criança que passava por ali.
Moral da História
A felicidade mora no presente. Em vez de viver com pressa, esperando o amanhã, vale a pena aproveitar e agradecer cada dia bonito de hoje.