Pular para o conteúdo

Natal no celeiro

Capa do livro de histórias Colorir e Desenhar

Faltavam só dois dias para o Natal! A neve caía macia lá fora, e Johnny estava coladinho na janela, observando o quintal ficar todo branco e fofo.

De repente, ele ouviu o barulho de rodas subindo a estrada. Uma carroça entrou pelo portão e passou bem em frente à janela. Johnny apertou o narizinho no vidro frio, curioso, e: que surpresa!: viu duas grandes árvores de Natal em cima da carroça.

: Duas árvores?: pensou ele, arregalando os olhos. Virou-se depressa para contar à mamãe, mas logo lembrou que ela tinha ido à cidade comprar os presentes e só voltaria à noite.

Os dedinhos das mãos e dos pés de Johnny estavam gelados de tanto ficar parado. Então ele puxou sua cadeirinha para pertinho da lareira e sentou-se a pensar, aquecendo-se no calor do fogo.

Kitty, a gatinha, estava enroladinha feito um novelo de lã no cantinho mais quente. Ela pulou, foi até Johnny e esfregou a cabeça no joelho dele, pedindo carinho.

: Sabe, Kitty: disse ele, fazendo um cafuné :, acho que descobri por que chegaram duas árvores. Hoje de manhã, quando dei tchau para o papai no portão, ele disse que ia comprar uma árvore para mim. E a mamãe, ocupada em casa, não ouviu. Tenho certeza de que ela também comprou uma!

A gatinha pulou no colo de Johnny e ronronou baixinho.

: Mas o que vamos fazer com duas árvores de Natal?: pensou o menino. Então, de repente, teve uma ideia maravilhosa.: Kitty, você gostaria de ganhar uma?

Kitty ronronou tão alto que quase parecia dizer "sim, sim!".

: Então eu te dou, se a mamãe deixar! Vou montar uma árvore de Natal no celeiro para você e para todos os bichinhos. Aí vocês vão ficar tão felizes quanto eu vou ficar com a minha aqui na sala!

Nesse instante, a campainha tocou. Rápido como um raio, Johnny correu com o rostinho todo sorridente e abraçou o papai e a mamãe, dando um beijo carinhoso em cada um.

Durante a noite, ele contou tudo o que tinha acontecido e falou das duas árvores. Era exatamente como Johnny havia imaginado: cada um dos pais comprara uma sem o outro saber! E, como o Natal estava chegando, decidiram ficar com as duas.

Johnny ficou radiante e contou seu grande plano.

: Posso ficar com a árvore que sobrou, para os bichinhos?: pediu ele.

Papai e mamãe sorriram, enternecidos.

: Pode sim, meu querido: disseram.

Naquela mesma noite, o papai prendeu a árvore num bloco de madeira para deixá-la firme e a colocou bem no meio do celeiro.

No dia seguinte, terminadas as lições, Johnny foi à cozinha e pediu à Annie, a cozinheira:

: Annie, você pode guardar para mim as sobrinhas do jantar? Os ossinhos, as cascas de batata, um pouco de sal, farinha de milho... É surpresa!

Annie riu e guardou tudo em sacos de papel, junto com alguns pratinhos lascados e uma velha tigela de madeira.

: Mas para que é tudo isso?: quis saber ela.

: Espere até amanhã, e você vai ver!: respondeu Johnny, sorrindo. Levou tudo para o celeiro e guardou num cantinho, prontinho para a manhã de Natal.

Chegou o grande dia! Assim que acordou, Johnny correu para o celeiro para enfeitar a árvore dos seus queridos bichinhos.

Num galho, amarrou um saquinho de aveia para Brownie, a égua. Do outro lado, pendurou feixes de feno na altura certa para Clara, a vaca, e um pouco mais embaixo para Spotty, o bezerrinho. Em outro galho, três ossos com bastante carne para Rover, o cachorro preto. Debaixo da árvore, encheu a tigela de madeira com restinhos gostosos para o porquinho Piggywig, e ao lado colocou uma tigela de leite para Kitty. Num pratinho, sal para o cordeirinho; noutro, farinha de milho para os pintinhos. No alto, uma cestinha de nozes para o esquilo, e bem embaixo um maço de cenouras para o coelhinho branco e macio.

Quando terminou, Johnny deu um passo atrás para admirar a árvore mais divertida do mundo. Bateu palmas de alegria e correu chamar o papai, a mamãe e a Annie.

Os três gargalharam ao ver aquela árvore cheia de aveia, feno, ossos e cenouras. Era a árvore de Natal mais engraçada que já tinham visto!

Juntos, ajudaram a trazer os animais. Em pouco tempo, Brownie, Clara, Spotty, Rover, Piggywig, Kitty, o cordeirinho, as galinhas, o esquilo e o coelhinho estavam cada um diante do seu banquete de Natal, debaixo da árvore.

Que cena adorável! Todos comendo e bebendo, felizes e contentes.

Quando os bichinhos terminaram, Johnny pegou a trombeta novinha que ganhara e deu um toque bem alegre, avisando que a festa da árvore havia acabado.

Brownie voltou à baia relinchando, Clara saiu mugindo, o bezerrinho tentou imitá-la, o cordeirinho saltitou balindo, o porquinho grunhiu satisfeito, Kitty pulou a cerca miando, o esquilo continuou quebrando suas nozes e o coelhinho voltou saltitando para o seu cantinho.

Que barulhão gostoso! A mamãe abraçou Johnny e disse, com os olhos brilhando:

: Parece que todos eles estão dizendo: "Feliz Natal para você, Johnny! Feliz Natal para todos!"

Moral da História

A alegria fica ainda maior quando a dividimos com os outros: até com os bichinhos que tanto amamos.