Não Fui Eu!

Era uma manhã tranquila na casinha amarela. A mamãe pegou a bolsa, deu um beijo na bochecha do gatinho Bigodes e avisou, já saindo pela porta:
: Não vou demorar muito. Seja bonzinho, tá?
: Miau: respondeu Bigodes, com seu ar mais inocente do mundo.
Mas assim que a porta se fechou, os olhinhos do gatinho brilharam de travessura. A casa toda só para ele!
Bigodes pulou no sofá. Depois na mesa. E foi aí que reparou no vaso de flores, todo enfeitado, bem na beiradinha.
: Oh!: miou ele, curioso, esticando a patinha.
: Oh, não!: o vaso balançou.
: Oh, NÃO!: o vaso escorregou...
CRASH!
O vaso caiu no chão e a água se espalhou por toda parte. Bigodes deu um pulo, assustado.
: Não fui eu!: miou, olhando para os lados.: Foi... foi o vento!
Mas o gatinho não parou por aí. Correu para a cozinha e subiu na bancada, onde havia um jarro de leite bem cheirosinho.
: Oh!: cheirou ele.
: Oh, não!: o jarro tremeu.
Splash! O leite derramou e escorreu pingando pela mesa.
: Não fui eu!: miou Bigodes de novo, lambendo os bigodes.: Foi... a mesa que empurrou!
Foi então que ele viu o novelo de lã da vovó, coladinho no cesto de costura.
: Hiss!: brincou ele, dando uma patada.
O novelo rolou, rolou, rolou e desenrolou-se pela sala inteira, enrolando as pernas das cadeiras num emaranhado enorme.
: Oh! Oh, não!: miou Bigodes, olhando a bagunça.: Também não fui eu!
Nesse momentinho, a chave girou na porta. A mamãe tinha voltado!
Ela olhou o vaso caído, o leite derramado e a lã espalhada por todo canto. Depois olhou para o gatinho, que estava com um pedacinho de lã grudado na orelha e uma gotinha de leite no bigode.
: Bigodes...: disse ela, tentando não rir.: Foi você?
O gatinho abaixou as orelhas, envergonhado, e miou bem baixinho:
: Miau... Tá bom. Fui eu, sim.
A mamãe se agachou, deu um carinho na cabeça dele e sorriu.
: Todo mundo apronta de vez em quando, meu bichano. O importante é ter coragem de dizer a verdade. Agora vem, vamos arrumar tudo juntos.
E foi o que fizeram. Bigodes ajudou a enrolar a lã de volta com as patinhas, e nunca mais teve medo de contar a verdade: nem quando a travessura era mesmo dele.
Moral da História
Todo mundo faz bagunça de vez em quando. Assumir o que fizemos, com coragem e honestidade, é sempre melhor do que dizer "não fui eu".